11 de março – recordações

(post em 10/03/2014)


Longe de mim querer propor algo tétrico ou mórbido na sua estadia madrilenha; mas nem só de belos monumentos é feita uma cidade europeia. O atentado de 11 de março, em 2004, deixou marcas profundas em Madri. Para quem não se lembra, o atentado explodiu vagões de trem em diferentes pontos da cidade, matou 191 pessoas e feriu 1858.

Várias teorias conspiratórias foram tecidas, como aquela que rezava que teria sido o ETA, pois estes estavam macomunados com o PSOE, etc. Contudo, o juízo levado a cabo mostrou que a autoria era de uma célula yahiadista que atuava na capital espanhola que buscava punir a Espanha pela sua participação na guerra do Iraque e alinhamento pró-Bush. Polêmicas à parte restou a dor, as vidas interrompidas, o silêncio dos que sobreviveram e as associações de vítimas que lutam pelo reconhecimento.

DSC03881Na cidade de Madri, bem como naquelas onde o trem passa, existem monumentos que não deixam a memória ser apagada. Em Alcalá de Henares, onde morei por um ano, assim que descemos na estação somos recepcionados por um grupo escultórico de nove pessoas olhando fixamente para um muro onde estão escritos os nomes dos que pereceram . Não era raro ver velas e flores por ali. Este foi o primeiro monumento a ser inaugurado, logo um ano depois. Afinal, os quatro trens partiram dali e 27 habitantes da cidade morreram naquele dia.

Igualmente, na vizinha Torrejón de Ardoz, um grupo de pessoas esculpido por José Luis Fernández, está na em frente a estação de trem. Chamada de “Monumento a los Mártires del 11-M” retratam homens, mulheres e crianças em um pedestal. A foto que abre o post é deste monumento.

Mais a frente, na localidade de Santa Eugenia, há uma escultura de ferro, inaugurada em 2007. Nesta estação 25 pessoas foram assassinadas devido à explosão. Na estação El Pozo, também cenário da tragédia, outro monumento de cimento, pedra e pintura, é suporte para 192 canos que choram continuamente os mortos. Somado aos monumentos “oficiais” é possível ver flores e velas ao longo da via férrea.

DSC07412Na estação de Atocha, o local mais atingido, ao sair, nos deparamos com um cilindro vitrificado gigante, plantado no canteiro que divide a via. Inaugurado em 2007 tem 11 metro de algura e 9,5 m de diâmetro.O acesso é feito pelo interior da estação e é possível visitá-lo todos os dias de 10 às 22h gratuitamente. Leia mais sobre este monumento aqui.

Madrid Agradecido_Puerta del SolNa Porta do Sol, na sede do governo madrilenho, uma discreta placa agradece a todos que ajudaram e colaboraram naquele fatídico dia. Porém é no parque do Retiro onde se faz a homenagem mais bonita através do Bosque del Recuerdo (Bosque das Recordações). Trata-se de 170 ciprestes e 22 oliveiras plantadas em memória de cada uma das vítimas que perderam suas vidas no atentado. Silêncio, paz, natureza velam discretamente por aqueles que já não estão aqui. Justo.

 

 

 

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