2 de maio

(post em 30/04/2015)


Dia 2 de maio é feriado na Comunidade de Madri, pois nesta data se comemoram o levante popular contra as tropas napoleônicas, em 1808, que mais tarde inspirariam a Guerra da Independência. Entenderam ? Não !! Então, vamos voltar às aulas de História com a tia Maricota. Afinal, sempre e antes de tudo, serei professora desta matéria.

Lembram-se quando Napoleão conquistou meia Europa e queria mais ? Ele era super gente boa. Quem estava com ele, ótimo. Quem não estava era invadido, os reis eram depostos de seus tornos e ele colocava um parente ou general de confiança para governar no lugar. Foi assim na Suécia, em vários reinos italianos e na Espanha. Como vocês lembram, em Portugal, Dom João preferiu conservar sua amizade com os ingleses e a coroa vindo para o Brasil.

placa

Placa agradecendo aos combatentes de 2 de maio na Casa de Correos, na Porta do Sol.

Aliás, Napoleão, para invadir Portugal, precisava atravessar a Espanha. Depois de muitas negociações, o rei espanhol Carlos IV autoriza as tropas francesas passarem pelo território espanhol rumo a Portugal. As consequências em Portugal vocês já conhecem. Mas como ficou a Espanha?

Bem, faltou combinar com o povo. Ninguém achou graça em ver os franceses – inimigos históricos – caminhar pelo território, assaltar casas, destruir colheitas e matar gente. A população se revolta em Aranjuez, mas é duramente reprimida. Como a situação fica insustentável, o rei Carlos IV abdica em favor de seu filho, Fernando VII.

placa-conmemorativa

Recordando o 2 de maio no Palácio Real.

Ora, como os franceses já estavam em território espanhol, por que não aproveitar e invadir Madri? Napoleão sempre foi um grande estrategista e não seria agora que ia desperdiçar esta oportunidade. Porém, de novo, faltou combinar com a população. Reunidos no Palácio Real, os madrilenhos tinham medo que seu rei fosse sequestrado e preso fazendo que o povo ficasse a mercê do invasor. Quem fazia a guarda do palácio era destacamento francês que não teve dúvidas em atirar. A população também não hesitou em revidar e começou uma batalha campal pelas ruas de Madri que está marcada na cidade através dos nomes das ruas, estátuas e monumentos.

Manuel-Malasaña

Gente como a jovem costureira Manuela Malasaña que ajudou o pai a carregar as armas de pólvora para atirar nos soldados franceses. Outra versão diz que ela feriu os soldados com suas tesouras enquanto ela voltava para casa. Hoje é nome de rua e do movimentado bairro de Malasaña.

Militares como Daoíz y Velarde que se recusaram a permanecer aquartelados e foram lutar contra os franceses. No bairro de Malasaña (coincidência?) está lá uma estátua com os dois em atitude heróica sob os portões do seu antigo quartel. Esta praça agora se chama “Dos de Mayo”.

Monumento_a_Daoiz_y_Velarde

Também foram imortalizados nas telas de Goya o ataque da população feita aos mamelucos, um grupo de mercenários egipcios que servia o exército francês, na Porta do Sol. Goya também imortalizou os prisioneiros que foram sumariamente executados no monte de Príncipe Pío no dia 3 de maio. É possível ver estes quadros no museu do Prado e a foto que abre este post é desta última obra.

carga-mamelucos-2-mayo-goya-levantamiento

La carga de mamelucos, de Goya. Museu do Prado.

Sem falar no monumento mais formal aos que lutaram neste dia que foi inaugurado em 1840, no paseo del Prado e onde se realiza a oferenda florar com a presença dos Reis. Afinal, não foram só os soldados que lutaram. Gente de todas as idades pegou em armas contra Napoleão. Infelizmente, a repressão foi brutal e os franceses ficaram por aqui até 1812. Em 1985 foi acrescentada a chama eterna ao “combatente desconhecido” para todos aqueles que lutaram pela Espanha nas guerras que o país participou.

Monumento-Caídos

E como terminou este imobróglio? Fernando VII tampouco consegue controlar a situação e abdica a favor de Napoleão, na cidade de Bayonne, em 5 de maio de 1808. Este designa seu irmão – depotismo na veia – para reinar na Espanha com o nome de José I. Ao contrário do que possa parecer, José I se esforçou para conquistar o afeto dos habitantes e fez várrias intervenções urbanísticas na cidade como a Plaza Santa Ana e Jardim do Oriente. Aliás, ele é recordado apelido de Pepe Botella ou, em bom português, Zé Garrafa, porque parece que ele apreciava – com certo exagero – tomar um goró.

Fernando VII – que, é importante mencionar, era irmão da rainha Carlota Joaquina – ficou exilado na cidade francesa de Valençay até 1813 quando José Bonaparte I foi destronado e ele pôde voltar no ano seguinte. Mas isto é outra história…

 


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2 Comentários

  1. Luiza Novaes Borges diz:

    Olá!! Ótimo post!! Estou planejando uma viagem para Madri em 2017 mas vi que estaria na cidade dos 1 a 3 de maio, sendo que 1 e 2 de maio são dias de feriado. Como é o funcionamento da cidade nestes dias? Fica mais vazia, mais cheia? Atraçoes turísticas e restaurantes fechados? Obrigada

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