Madri em três dias: Bairro das Letras e La Latina

(post em 31/01/2014)


DSC09216Um dos lugares mais charmosos de Madri, perfeito para caminhar e divagar, é o Bairro das Letras, denominado desta maneira pela quantidade de literatos como Cervantes, Lope de Vega, Quevedo e Góngora que fizeram das ruas do pequeno bairro sua morada. Igualmente se encontram a sede da Real Academia de História e do Ateneo de Madri.

DSC09251Some-se a isso um clima de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, com manifestações artísticas espôntaneas como o inusitado lagarto gigante feito com CD’s na calle León com a calle Prado, no hotel Vincci Soho. À noite, bares das mais diversas nacionalidades e alguns com música ao vivo fazem do Bairro das Letras um dos mais boêmios da capital.

Um bairro tão cultural tem calendário própio. Se você está em Madri no primeiro sábado do mês aproveite o “Mercado das Rãs” (Mercado de las Ranas) quando o comércio abre as portas e coloca seus produtos na rua. Além disso há concertos e teatro para atrair mais público. Geralmente, na segunda quinzena de setembro, tem lugar a feira de DecorArcción, quando as lojas de móveis e antiquários expõem peças únicas nas ruas.

Já está convencido ? Ah! Esqueci. O bairro também conta com restaurantes tipicamente madrilenhos completamente azulejados ou que homenageiam os touros. São muitos como a Taberna de la Daniela, Taberna los Gatos e a Taberna Los Dolores que servem o famoso cozido madrilenho e outras iguarias da comida espanhola.

Chega de conversa! Vamos ?? Preparei um pequeno roteiro e tem um mapa lá embaixo. Não tem erro.

A melhor maneira de começar a explorar este recanto madrilenho é subir a calle de Huertas (literalmente, horta) assim chamada porque havia uma grande quantidade de hortas por ali. Aliás, antes de iniciar o passeio talvez seja melhor conhecer a Basílica de Jesus de Medinacelli, uma das devoções mais antigas de Madri. Localizada na calle de Jesus e inaugurada em 1930 sob a responsabilidade dos franciscanos capuchinhos, o templo vale a vista pelo seu altar em mosaico com diversos santos franciscanos, os vitrais da capela do Santíssimo e do coro e as distintas imagens de Nossa Senhora.

DSC09190Voltando a calle Huertas, esta rua, que é uma pequena ladeira, está perto do museu do Prado e pode ser um programa ideal para espairecer após a visita feita ao museu. O mais interessante é ler os trechos de poemas ou romances em letras douradas de célebres escritores espanhóis. Se você não os conhece procure na parede mais próxima a biografia do autor.

DSC04960No caminho você encontrará a igreja do mosteiro das Trinitárias de São Idelfonso. O templo data de 1673 e foi concluído em 1698;e apesar de guardar belas pinturas em seu interior, todo mundo conhece esta igreja como “o lugar onde estaria enterrado Cervantes”. Dizem “estaria” pois nas muitas reformas sofridas pela casa religiosa o túmulo e a lápide do escritor se perderam e com isso, qualquer informação confiável de onde estariam os ossos do célebre autor de Dom Quixote.

Ali também professou como monja a filha de Lope da Vega. Aliás, o rival de Cervantes tem a sua casa-museu na rua ao lado, chamada Cervantes ! O local está aberto a visitação gratuita sendo necessário marcá-la antes pelo telefone.

Outra marca registrada deste bairro, onde os único veículos que circulam são dos moradores, são as livrarias especializadas em livros antigos, gravuras ou edições raras. Se você gosta do riscado vale a pena entrar e se deliciar com as publicações. Também lá está a livraria Desnível dedicada aos livros e equipamento de montanhismo, além de outras livrarias que fazem justiça ao nome do bairro.

DSC09180Ao final da calle Huertas está uma linda loja de plantas “El sueño del Ángel”. No mesmo endereço há mais de de cem anos (!!) o estabelecimento é uma graça e aos sábados abre as portas para pintores de plantão. A loja é vizinha da igreja de São Sebastião que sofreu inúmeros reveses ao longo de sua história, porém mantém a bela cúpula e uma imagem do santo padroeiro.

 

DSC09222Dali você já vê plaza Santa Ana que surgiu quando a Espanha estava ocupada pelos franceses. O rei José I estava empenhado em higienizar o centro madrilenho e manda derrubar o convento das carmelitas que ali existia. Em 1880 se bota abaixo mais algumas casas para melhor visualizar o teatro Espanhol e pronto: estava configurado o traçado atual da praça.

Neste espaço estão homenageados mais dois escritores espanhóis: Calderón de La Barca e García Lorca. A estátua em homenagem ao dramaturgo e compositor do século 17 está junto ao hotel Reina Victoria e foi inaugurada em 1880 de autoria de Joan Figueras Vila. Mostra o literato de cara fechada, talvez pela vida dura que viveu, sobre um pedestal rodeado de cenas de suas peças.

DSC03210Um pouco mais abaixo se encontra a estátua de Federico Garcia Lorca, de autoria de Julio López Hernández e inagurada em 1994. Trata-se de uma estátua realista onde o poeta sustém um pássaro que está prestes a voar. Uma alegoria à liberdade? Uma referência aos poemas que mencionavam os pássaros? Um pedido de descanso eterno já que seu corpo nunca foi encontrado? Ninguém tem a resposta…

O passeio pelo bairro pode acabar aqui em um dos bares da praça. Há os modernosos como o Tartafu e os tradicionais como a centenária cervejaria Alemán.O importante é que eles garantam uma boa vista do teatro Espanhol. Apesar do edifício ter sido construído no século 19, o terreno já estava ocupado pelo teatro do Príncipe desde o século 16. Ali são representadas tanto obras modernas quanto clássicos do teatro espanhol. Basta conferir os nomes talhados na fachada.

Deixo vocês por aqui. Observem no mapa as indicações, bom passeio e escrevam me contando dúvidas e sugestões. E depois do cafezinho, vamos ao bairro de La Latina?

 

 


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