Bernardo de Gálvez – e a presença da Espanha no México e nos Estados Unidos

(post em 26/12/2015)


Não sei vocês, mas como fui criada a base do cinema americano, sempre tive a imprensão que os americanos ganhavam todas as guerras sozinhos. Segunda Guerra Mundial ? Praticamente o que dedicidiu a contenda foi o Dia-D e não a pressão que o Exército soviético fazia do outro lado. Guerra do Vietnã? Só descobri que os EUA perderam (ou pelo menos, não ganharam) na escola. O Rambo não tinha me contado essa parte…

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“O rei Carlos III funda a colônia de La Carolina”, de Victorino López.

Igualzinho em relação à Guerra de Independência dos Estados Unidos (ou das 13 Colônias para ser mais exata). Quem assiste o “Último dos Moicanos”, de Michael Thomas Mann, ou mais recentemente “O Patriota”, de Roland Emmerich, pensa que os colonos conseguiram expulsar os britânicos sozinhos, pois índios, franceses e negros aparecem como coadjuvantes ou nem são mencionados. Apenas quando comecei a dar aulas desta matéria descobri que os espanhóis se meteram na contenda. Afinal, a Inglaterra era inimiga histórica dos Borbons e o espanhóis também tinham possessões ali. Nada mais natural que aplicar a lógica “o inigmigo do meu amigo é meu inimigo também” e despachar um exército para ajudar os americanos a expulsar Albion.

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Entrada do bergantím Galveztown na baía de Pensacola. Autor: Máximo Agudo Mangas

Pois tive a honra de conhecer um pouco mais da atuação do exército espanhol através da exposição “Bernardo de Gálvez – y la presencia de España en México y Estados Unidos” , em cartaz na Casa de América, que mostra a vida deste militar, que tomou a cidade de Pensacola, foi governador da Lousiana (os franceses haviam cedido este território para a Espanha) e terminou seus dias como Vice-Rei da Nova Espanha, entre outras realizações.

A exposição está super bem montada com uma cenografia a medida para conquistar o visitante de qualquer idade. Começamos com os principais personagens da época: quadros de George Washington, Carlos III, Francisco Saavedra, Benjamin Franklin, etc. A seguir, uma contextualização do século ilustrado com exemplares da Enciclopédia e manuais científicos, mas também música e vestuário. Quadros com cenas da vida cotidiana nas colônias americanas e na Espanha completam esta primeira parte.

No segundo andar recriaram o ambiente escuro de uma trincheira com direito a jogos de luzes e barulhos de explosões e vários monitores transmitem trechos de batalhas de filmes como “Revolução”, de Hugh Hudson ou do citado “Último dos Moicanos”. Realizada com apoio do Exército Espanhol, há mapas ilustrando as manobras militares comandadas por Bernardo de Gálvez, maquetes de embarcações e maniquins vestidos com réplicas do uniformes militares dos vários batalhões que lutaram nos EUA.

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Depois de percorrer a exposição fica um gosto de “como nunca ouvi falar antes desse homem?” e um orgulho ferido de historiador que sempre buscava mostrar várias visões da história aos alunos. Suspiro. Lembrei-me que não havia interesse nenhum dos EUA exaltar um espanhol na sua história: todo território espanhol nos atuais Estados Unidos foi tomado, sem falar nas intervenções em Porto Rico e Cuba. Como dizer que houve um espanhol que nos ajudou a ser independente?

Ainda bem a história sempre é reescrita- para o bem e para o mal – e o própio governo dos EUA reconheceu os méritos de Bernardo de Gálvez pendurando um quadro no Senado americano e concedendo-lhe a cidadania americana 239 anos após a sua morte.


Onde? Casa de América. Entrada pela calle Maqués del Duero, 2. Metrô: Banco de España, L2.

Quando? Até 12 de março. Segunda a sexta de 11h às 15h e de 16:30 às 19:30h. Sábados de 11h às 15h. Fechado domingos e feriados.

Gratuito

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