Carmen – Compañía Nacional de Danza

(post em 12/04/2015)


Dizem que Madri não tem balé. Se formos pensar no balé do século 19, com tutus e pontas, é verdade. Saudades de você, Ana Botafogo! No entanto, se consideramos a dança contemporânea, teremos uma grata surpresa como a Compañía Nacional de Danza (Companhia Nacional de Dança). Fundada em 1979, teve como seu primeiro diretor o bailarino Victor Ullate, um dos grandes do balé espanhol e atualmente, José Carlos Martinez assina a direção.

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Aspecto do Teatro da Zarzuela.

 

A CND tem sua sede no Teatro La Zarzuela que foi aberto em 1856 com objetivo de mostrar ao público o melhor da produção musical espanhola, especialmente o gênero lírico, ou a zarzuela. Porém, o edifício passou por um incêndio e foi remodelado perdendo um pouco da sua arquitetura inicial. Reformado no final da década de noventa é possível admirar a beleza dos lustres, dos mármores e dos caracteres mais antigos que fazem deste palco lugar de estreia e abrigo para diferentes companhias espanholas.

Voltando à Companhia. A proposta é neoclássica-contemporânea e privilegia os coreógrafos do século 20 e estreias do nosso tempo. A primeira vez que os assisti, o programa reuniu Balachine, Ben Stevenson e Forsythe, além de uma coreografia do diretor da companhia, José Carlos Martinez. Como bônus, o pas-de-deux de “A dama das Camélias”, de John Neumeier, com música de Chopin, estrelado por dois craques, Lúcia Lacarra e Marlon Dario.

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Apesar das mudanças, Carmen continua apaixonante. Foto: Jesús Vallinas

Dessa vez, voltei para prestigiá-los vendo a estreia mundia da obra Carmen, de Johan Ing. Imagina um sueco trabalhando com o mito dos mitos espanhóis? Ok. O livro e a ópera foram escritos por um francês, mas convenhamos que ali é a maior reunião de esteriótipos espanhóis por metro quadrado: a cigana sedutora, o sangue quente da mocinha e do mocinho, o flamenco (ainda que discreto) e o toureiro triunfador.

Pois Johan Ing faz uma leitura bastante minimalista (ele é sueco, né?), com cenários mínimos e dá mais protagonismo a José que a própria Carmen. Elimina a Micaela – não gostei, porque ela é o contraponto feminino da protagonista – e cria um personagem infantil que nos conduz ao inferno que vive José na mão da cigana. A coreografia é segura e precisa marcando as nuances dos personagens. A música mescla a partitura de Bizet com a trilha sonoro composta por Rodion Shchedrin. No segundo ato, o compositor Marc Álvarez criou uma atmosfera única quando o atormentado José se dá conta do que fez.

Carmen fica até dia 19 de abril em Madri e depois excursiona por várias cidades espanholas.Este ano, a CND também promete outro clássico do teatro/balé espanhol: Dom Quixote. Mal posso esperar.

Quem quiser conferir o trabalho deles e comprar ingressos para as próximas apresentações acesse. O site está em espanhol ou inglês: http://cndanza.mcu.es/

Quando? De terça a sábado: 20:00 horas. Domingos: 18:00 horas

Onde? Teatro la Zarzuela. Calle Jovellanos, 4. Metro Banco de España e Sevilla, L2.

Quanto? Entradas de 5 € a 31 €


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