Colecionismo e Modernidade, dois casos de estudo: coleções Im Obersteg e Rudolf Staechelin

(post em 17/05/2015)


O Museu Reina Sofia traz uma exposição que nos faz refletir sobre a importânica das elites e o desenvolvimento da arte. Trata-se da mostra “Colecionismo e Modernidade: dois casos de estudo: Colecciones Im Obersteg e Rudolf Staechelin” . Duas coleções de dois empresários suíços que nos mostram como os gostos artísticos estavam mudando no começo do século 20 e como essas obras foram adquiridas pelos seus propietários.

Iniciamos o recorrido com a coleção de Rudolf Staechelin, um empresário do ramo da construção que gostava e podia se permitir pendurar quadros Pissarro, Manet, Gauguin (foto que abre o post) e Cezanne na parede da sua casa. Gostaria de agradecer-lhe imensamente por ter gastado o seu rico dinheirinho nestas obras e ao fim da vida passá-las à custódia do Kunstmuseum Basel. Assim, iniciamos o recorrido com uma noção de impressionismo e pós-impressionismo francês que nos deixa animados para a próxima etapa.

A coleção de Karl Im Obersteg, rico empresário do ramo dos transportes, que resolveu colecionar quadros de artistas suíços da época como Ferdinand Hodler e Cuno Amiet, mas também de russos exilados no país helvético tal qual Alexej von Jawlensky. Aliás, esta foi a melhor descoberta do dia. Com um traço firme e cores fortes, adorei a obra deste pintor que viveu em Munique onde travou conhecimento com Kandinsky. Ali desenvolveria sua carreira e Karl Im Obersteg comprou vários quadros dele.

Alexej von Jawlensky (1864–1941); Selbstbildnis; 1911

Apesar de manter uma abundante correspondência com os artistas, Im Obersteg orientou sua coleção para seu gosto pessoal e para que formassem um conjunto harmonioso na sua casa. Aliás, podemos conhecê-la através de inumerosas fotografias em preto e branco. Infelizmente, as cartas trocadas entre os pintores e o empresário ficarão para outra ocasião porque não há nenhuma na exibição.

Esta coleção é renomada pela quantidade de Chagall que possui. Assim, podemos ver os belos retratos de judeus pintados pelo artista que transitou por vários estilos e soube imprimir seu toque pessoal em todos. Outra curiosidade é o único quadro de Picasso pintado em duas faces: de um lado temos a “Bebedora de absinto”, com uma cara de quem já esvaziou mais de um copo; de outro uma bela aristocrata olha por cima de tudo e de todos como se fosse dona do mundo.Um luxo só!

Pablo Picasso (1881–1973); Femme dans la loge [verso- Buveuse d'absinthe]; 1901

 

Onde? Museu Reina Sofia, metrô: Atocha, L1

Quando? Segunda 10:00 – 21:00 h; Terça – fechado; Quarta a sábado10:00 – 21:00 h; Domingo: 10:00 – 19:00h. Até 14 de setembro.

Quanto? 8,00 € – inclui a entrada para o Museu. Esta exposição pode ser visitada gratuitamente domingo, a partir de 14:15.

 


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