Córdoba

(post em 21/11/2016)


A região da Andaluzia guarda os maiores tesouros da arte islâmica na Espanha. Afinal, foi ali que os mouros ficaram mais tempo e construíram cidades fabulosas, com todo o luxo que podiam se permitir e para mostrar aos seus confrades de Bagdá, por exemplo, que não tinham nada a se envergonhar.

Se o visitante quer conhecer um pouco deste passado árabe, três cidades não podem faltar no seu roteiro: Córdoba, Sevilha e Granada. Neste post vou contar sobre Córdoba, onde estive por duas vezes. Na primeira, somente um dia, num bate e volta desde Sevilha; e na outra passei toda a Semana Santa ali. Nas duas voltei encantada.

Córdoba foi capital da Hispania Ulterior durante o Império Romano e capital do califado de mesmo nome. Por isso, a cidade concentra também grandes monumentos romanos como a ponte, ruínas de templos e um fabuloso Museu Arqueológico e Etnológico de Córdoba que merece a visitinha. Sob dominação árabe, a cidade chegou a ter um milhão de habitantes entre muçulmanos, judeus e cristãos que conviviam em relativa paz. Contando que cada um pagasse os impostos e não fizesse alarde público da sua fé era difícil alguém ter problemas e foi este modelo que foi seguido em Alcalá de Henares e Toledo.

Templo Romano Rumo a Madrid

Ruína de Templo Romano

O centro histórico de Córdoba ainda preserva o traçado árabe de casas brancas e um labirinto de curvas que só os nativos se entendiam. Não se desespere se você se perder. Certamente isso irá acontecer, mas o mais provável é que você acabe encontrando, como eu, uma atração interessantes como a Casa Andalusí e a Sinagoga.

No entanto, o que a turistada quer é visitar a Catedral, por isso compre o ingresso antes e vá cedo, pois há grupos que vão exclusivamente para conhecer este edifício.

 

 

 

Abaixo um pequeno roteiro sobre o que ver em Córdoba:

Catedral – Trata-se de uma obra fantástica pois ao invés de derrubarem o edifício muçulmano, acabaram por optar em fazer o novo templo cristão no interior da mesquita. Assim, temos ainda todo o clima de mesquita, como o pátio para se purificarem, os lugares de oração com seus incríveis arcos em forma de ferradura brancos e vermelhos.

Catedral de Córdoba Rumo a Madrid

A Mesquita começou a ser contruída em 786, logo após a conquista do lugar pelos muçulmanos e foi constantemente ampliado e embelezado pelos emires. O resultado é uma profusão de estilos onde se pode fazer diferentes leituras das épocas de glória do califado: desde o pátio das Laranjas, com suas fontes para as abluções, até os diferentes arcos, no interior, nada nos deixa indiferentes.

 

Por outro lado, a catedral foi edificada logo após a conquista da cidade, primeiro construindo as capelas laterais e adaptando às funções cristãs. A intervenção mais radical aconteceu no século XVI quando erigiram a nave principal, com o coro, cúpulas e um retábulo de pedra deslumbrante. O arquiteto Herna Ruiz, o Jovem, foi muito êxitoso em conservar o dourado e o branco, pois a claridade é aumentada com a luz do sol.

Alcdsc03636ázar dos Reis Cristãos – Ao contrário dos outros Alcázares que já visitei como o de Segóvia ou Sevilha, este deixa bastante a desejar porque a a decoração interior é bem pobre. Mas em compensação, os jardins e a vista que se tem da cidade são de tirar o fôlego. A fortificação data do século XII construída sob as bases de antigas fortalezas, porém depois da reconquista cristã seu uso foi múltiplo: os reis católicos passaram aí oito anos dirigindo a campanha da reconquista de Granada e a Igreja a usou como tribunal do Santo Ofício e prisão. Também ali Colombo teve uma das muitas entrevistas com Isabel para convencê-la a patrocinar suas expedições pelos mares.

 

Rumo a Madrid

Cartaz do Museu Júlio Torres – Rumo a Madrid

Museu Julio Torres – toda viagem que faço, acabo por descobri uma joia local e adoro estas coincidências da vida. Dividindo espaço com o Museu de Belas-Artes está o museu dedicado a Júlio Torres (1874-1930), pintor modernista cordobês que retratou como ninguém sua cidade natal e, principalmente, as mulheres. Se George Bizet, com a ópera “Carmem” deu a conhecer o flamenco, acho que Julio Torres popularizou a andaluza morena, de olhos sensuais e provocantes, pois até as santas feitas por ele tem essa expressão.

 

 

 

 

Quando visitar?

Semana Santa de Córdoba Rumo a Madrid

Semana Santa de Córdoba

Fique atento ao calendário. Tal qual a maioria das cidades da Andaluzia, Córdoba tem uma Semana Santa bem tradicional e costuma receber muitos visitantes. Em maio acontece a festa dos “Patios de Córdoba” quando os moradores enfeitam suas casas com flores e a cidade costuma ficar bem cheia, porém mais bonita.

Dica: se for possível, nunca visite as cidades do interior da Andaluzia no verão. Acredite: você sentirá saudades do calor do Brasil.

Como chegar?

De Madri, o trem de alta velocidade sai da Estação de Atocha e a viagem dura quase duas horas. Passagens a partir de 62,10 euros (setembro de 2016).

Ônibus: a empresa Socibus faz o trajeto em quase cinco horas e a passagem custa a partir de 17,15 euros. Saída da Estación Sur de Autobuses de Madrid.

 


Compartilhe |


0 Comentários

Deixe o seu comentário!

Copyright © 2013 Rumo a Madrid

Criação e desenvolvimento Guttdesign

Follow

Get every new post delivered to your Inbox

Join other followers