Desfile de Carnaval em Madri

(post em 15/02/2015)


Desfile de Carnaval em Madri. Quer saber? Eu vou nesse negócio, nem que seja para falar mal. E fui. E adorei.

Sábado de Carnaval, 19:30, 6º. O que você faz? Fica mais um ano em casa pensando nos seus amigos que estão desfilando ou vai pra rua ver a versão madrilenha de um desfile? Ano passado, o pimpolho era muito pequeno e não saí, mas esse ano, não tinha mais desculpa!

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Então, lá fui para o trecho da calle Alcalá, entre a Príncipe de Vergara e o Paseo da Castellana pra ver o que é que o madrilenho tem. Fui de má vontade, amaldiçoando o frio que estava e irritada porque não havia bateria. Se não tem batuque, que graça pode ter ?

Mas confesso que mordi a língua. O desfile reúne várias associações culturais e/ou educativas em torno de um tema. Para 2015, o enredo era os 400 anos da impressão da segunda parte de Dom Quixote. Assim, cada ala participante deu sua versão para a história de Cervantes. Veio o autor escrevendo numa esfera modernista, Dom Quixote lutando bravamente, Sancho Pança cavalgando e, claro, Dulcinéia toda fofa.

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Os capítulos eram anunciados por estandartes e podíamos ter noção do que estava acontecendo. Alguns representaram danças da época e vinham fantasiados de tipos do século 16 como as damas, cavaleiros, padres e os bobos da corte que brincaram com a criançada. Cavalos de tecido iluminados e manipulados fizeram uma desmostração de equitação e bailarinos de perna de pau controlavam títeres em alusão ao grande maestro Pedro Maese que fez um teatro gigante sobre o Quixote que pode ser visto até hoje na casa de Cervantes, em Alcalá de Henares.

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Entre um trecho do Quixote vinham as associações culturais de países como Bolívia, Colômbia e Equador. A presença deles não é coincidência, pois a Bolívia tem forte tradição carnavalesca – especialmente na cidade de Oruro – onde o povo se fantasia com muito colorido, brilho e faz muito barulho para espantar o diabo. Já a Colômbia tem o carnaval de Barranquilla que tem um desfile bem parecido com o nosso, mas com alas coreografadas. Como se vê, tem mais gente que gosta de Carnaval do que nossa vã fiolosofia pode imaginar.

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Agora, no quesito “animação da arquibancada”, o pessoal deixa a desejar. Seja por causa do frio 6º, seja pela falta de música, o máximo que o povo faz é aplaudir a performance dos foliões que interagem com o público.

Ao final, às 21h em ponto, no Palácio de Comunicações houve a queima de fogos sincronizadas com canções. Esse ano, por cair no 14 de fevereiro, dia dos namorados na Europa, as músicas eram sobre o amor. Só identifiquei duas: Dos Gardênias e All we need is love. Essa última foi covardia! Os Beatles encerraram a festa que deixou gostinho de quero mais. Quer saber? Nunca mais falo mal do Carnaval madrilenho!


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