Dois dias em Lisboa…com criança

(post em 03/11/2015)


Saindo um pouco de Madri e navegando por outros mares fui à Lisboa pela terceira vez. Na primeira, fiz tudo o que um turista deve fazer e ainda foi pouco. Certo que escolhi um dia nada favorável para começar minha visita pela cidade: 1º de janeiro. Absolutamente tudo estava fechado! Mas quem liga para esse detalhe quando se faz o primeiro mochilão pelas Zoropa?

Gastei a sola de sapato, subi e desci as ladeiras e visitei (quase) tudo o que um turista deve conhecer: mosteiro dos Jerônimos, a praça do Comércio, Torre de Belém, Museu das Carruagens, Museu dos Azulejos, o Panteão, a igreja de santo Antônio e deu tempo de ir a Sintra. Nas minhas andanças, encontrei Fernando Pessoa e tirei foto dele, mas não com ele! Fiz minha promessa a la Scarlett O’Hara ao contrário e prometi que um dia voltaria para tirar esta bendita foto juntinhos.

Na segunda vez, fui resolver os trâmites da minha cidadania e como terminei tudo em apenas um dia, acabei antecipando à volta a Madri para não perder mais aulas (sou muito Caxias, eu sei). Posso afirmar que conheço cada pedacinho da estação de santa Apolônia.

Mas desta vez foi diferente, pois voltaria com o marido e o filho. E um filho de 15 kilos que usa um carrinho que não tem tração nas quatro rodas. Como fazer? Nada de pânico. Desde que tive filho, adotei o princípio que não iria esperar ele fazer 18 anos para voltar a viajar e tudo que consigo ver é lucro. A viagem tem outro ritmo, porém ainda assim é uma viagem. E ponto.

Ficamos hospedados em um apartamento no bairro da Lapa e dava para ver o Cristo da janela do apartamento. Opa! Lapa, Cristo…mais um pouco e cruzo a Baía de Guanabara para visitar a família. Não é o centrão turístico, mas tem três atrações muito bacanas: a basílica da Estrela, o jardim justo em frente e o Museu Nacional de Arte Antiga. Pronto. Resolvi meus problemas enquanto o maridóvski trabalhava.

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Como táxi em Lisboa é barato, decidimos adotá-lo como meio de transporte. Nem cogitei pegar o elétrico (bonde) sozinha com meu filho no carrinho e também não andamos de ônibus, mas percebi que eles também têm uma altura adaptada aos carrinhos de bebê. Alguém já pegou ônibus em Lisboa nessas condições? Conta aí pra gente!

Primeiro dia fui com o pimpolho para a Basílica da Estrela. Afe! Não sei qual a distância que estava da igreja, mas me pareceu uns 200km. As pedras portuguesas não ajudam em nada, as calçadas não são rebaixadas e as ladeiras me lembraram que minhas pernas já não têm mais 15 anos.

Claro que tudo isso foi esquecido quando entrei no templo mandado construir pela rainha dona Maria I – a mesma que foi para o Brasil e que sempre chamamos de “A Louca” – caso ela tivesse um filho homem. Suas preces foram atendidas e o templo neoclássico se levanta com uma fachada simples, mas cúpula espetacular. Infelizmente, seu primogênito José faleceu e dom João, foi proclamado herdeiro. O resto da história vocês já sabem…

No interior, a decoração em mármore, as belas imagens de santa Teresa, são José e os quadros dos santos fazem a alegria de fiéis e nem tão crentes assim. Para minha alegria, meu filho se comportou como um lorde, mas não se conformou porque eu não o deixava apagar as velas dos altares. Decidi sair e ir ao parque antes que ele armasse um escândalo que seria reverberado ao quadrado naquela igreja quase tricentenária.

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O parque é uma graça e perfeito para os “miúdos”: patos, laguinhos e brinquedos. Devo afirmar que não havia muitos brinquedos para a faixa dos 2 anos, mas criança se diverte com tudo e deu para ele ficar bem. Para os adultos, restam as estátuas de intelectuais como Antero de Quental. Viram? Estar em Lisboa é encontrar gente conhecida em cada esquina.

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De lá, peguei um táxi para o Museu Nacional de Arte Antiga, mas antes fiz um pit-stop no café do museu para alimentar o pequeno. Ah! Você sabe que está há muito tempo na Espanha quando olha para o mostrador de um café e pensa: ué, não tem pão de sal? Não!! Mas tinha risoli e bolinho de bacalhau!! E pastel de nata!

Resolvido o problema, entramos no museu e meu filho aceitou ficar no carrinho por um tempo. Comecei pelo terceiro andar que está sendo remodelado e onde estão agora parte das pinturas e esculturas religiosas dos séculos 16 ao 18.

O segundo andar está dedicado às louças portuguesas e, com justiça, pus a foto de entrada deste post de um aparelho de chá, dois vasos e uma sopeira em homenagem a esta arte. Decoradas com motivos florais, mitológicos, simples ou rebuscadas, o conjunto é impressionante e desperta a curiosidade até de quem não curte “coisas de casa” como eu.

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Além disso, na sala contígua estão objetos religiosos como cruz, cálices e relicários feitos em ouro. Para mim, contudo, a parte mais interessante deste andar foi o conjunto de objetos desenvolvidos nas colônias portuguesas do Oriente como biombos, armários, mesas e vasos.

Infelizmente, o tempo de validade de tolerância do meu filho estava acabando e parti para o térreo onde se exibem móveis de várias épocas e estilos portugueses. Novamente, tudo soa muito familiar para nós brasileiros e aquela sensação de “minha avó tinha um igual” ou “na fazenda do meu tio eu vi um parecido” nos acompanha boa parte do tempo.

Como a hora do cochilo do pequeno se aproximava resolvi pegar o caminho da roça e voltar o apartamento. Consegui ver 80% do museu e isso para uma mãe é um feito e tanto. Infelizmente não consegui chegar perto da parte estrela onde estão os quadros dos grandes pintores europeus. Que chato! Terei que voltar…


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4 Comentários

  1. Gabriela Mota Ribeiro diz:

    Olá Juliana Saudades… Vi seu post sobre Lisboa e logo hoje por coincidência um casal de amigos acaba de chegar de lua de mel por aí e conversamos sobre a cidade. Fomos em 2012 Maite ainda não tinha nem 2 anos e também usamos bastante o carrinho de bebê. Não é fácil, mas acredite, carrinho de bebê torna qualquer viagem mais agradável. Hoje ela tem 5 anos as viagens com carrinho já não fazem muito sentido e o cansaço dela pesa muito mais rápido! A impaciência também! Eles ficam maiores e mais cheios de preferências nas programações, o cochilo da tarde que permitia longas caminhadas nos museus não existe mais e toda a programação deve ser bem mais intercalada com atrações para os pequenos. Mas em geral Lisboa nos pareceu bem amigável com crianças, as pessoas muito simpáticas, os porquinhos bem legais…o oceanário incrível.
    andamos de taxi e também fizemos o passeio nos ônibus vermelhos tipo hop on hop off que embora caros, compensam pra quem tem pouco tempo e está com crianças. Chegamos a andar também nos bondes ( já faz tempo e minha memória é terrível) mas acho que fomos até o Castelo São Jorge de transporte público, mesmo com o carrinho. Correu tudo bem adoramos Lisboa e como fizemos a cidade na sequência de uma viagem já longa e super movimentada pela Europa acho que aproveitamos menos do que a cidade tem a oferecer. Pretendemos voltar.

  2. Suzana diz:

    Adoro o jeito que você escreve 😉 em Portugal tudo soa muito familiar mesmo, tem razão. E logo teremos mais uma dose 🙂 beijos

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