Duo Aurore em Madri

(post em 17/02/2016)


O Duo Aurore formado pelos pianistas Renata Bittencourt & Diego Munhoz chega à Espanha para dois concertos: dia 19, se apresenta em León, na Sala Euterpe e dia 21, em Madrid, na Sala Toccata en A. Confira mais detalhes no final do post.

Renata Bittencourt é natural do Paraná enquanto Diego Munhoz nasceu em São Paulo. Ambos foram premiados em vários concursos nacionais e foram estudar em Paris onde se conheceram e fundaram o Duo Aurore.

Nesta entrevista eles comentam sobre a carreira e os concertos que darão na Espanha:

  • Como surgiu a ideia do duo?

 

Nós nos conhecemos em Paris, em 2010, através de um amigo em comum que nos colocou em contato. O Diego morava em cima de um bistrot, e a primeira experiência tocando juntos foi justamente neste restaurante onde apresentávamos um repertório bem variado, que incluía música erudita evidentemente, mas também nossas transcrições de bossa nova, chorinhos, jazz e música francesa.

diego munhoz e renata bittencourt

Embora fosse um trabalho para poder pagar os estudos em Paris, esses momentos nos divertiam muito, temos excelentes recordações e inúmeras histórias dos “personagens” que frequentavam assiduamente esse bar no 11° arrondissement de Paris. Foi assim que veio o entrosamento e a vontade de fazer concertos juntos.

  • Qual é o segredo para tocar bem a quatro mãos ou em dois pianos? O que os pianistas devem ter em comum?

 

É importante que os dois pianistas tenham afinidades e uma compreensão de estilos semelhante. As dificuldades técnicas a quatro mãos e a dois pianos são bastante diferentes: a quatro mãos, os pianistas estão sentados muito próximos, divindo o mesmo teclado. Muitas vezes as mãos e os cotovelos se esbarram, sem falar do pedal, que é uma questão muito delicada neste repertório. Colocar o pedal para duas pessoas não é nada fácil: além de conhecer muito bem a parte do outro pianista, a pessoa que coloca o pedal deve ter uma escuta muito ativa e dinâmica.

tocando

Já no repertório para dois pianos, a dificuldade se inverte. Os pianistas estão distantes um do outro, necessitando atenção dobrada para a sincronia. Como não se podem ver as mãos do outro pianista como no piano a quatro mãos, os gestos e as respirações devem ser muito precisos. Os olhares se cruzam mais frequentemente, sendo este um recurso para a precisão rítmica.A abordagem dos dois repertórios também é diferente. No piano a quatro mãos, busca-se certa homogeneidade, sendo a intenção principal que a música soe como se fosse um só pianista. Já na música para dois pianos, de natureza mais orquestral, há lugar para uma maior variedade de timbres e articulações.

 

  • Gostaria que vocês comentassem sobre o repertório que será apresentado na Espanha.

 

Nós escolhemos abrir o concerto com as Danças Norueguesas, de Grieg. O compositor se inspirou de melodias tradicionais de seu país, o que dá um caráter bem popular à obra.

Na seqüência, Ma Mère l’Oye, de Maurice Ravel, que é uma das nossas obras preferidas. O compositor francês se inspirou de contos infantis como A Bela Adormecida e O Pequeno Polegar, de Charles Perrault entre outros.

Em terceiro lugar no programa deste recital, interpretaremos a Fantasia em fá menor de Franz Schubert, uma das obras mais conhecidas e mais tocadas do repertório para piano a quatro mãos. Schubert compôs inúmeras obras para esta formação e a Fantasia em fá menor foi composta no ano de sua morte. Trata-se de uma peça longa, que apresenta quatro partes contrastantes, e a melodia inicial, que possui caráter melancólico, é reapresentada algumas vezes ao longo da peça.

E para terminar, a Petite Suite, de Debussy, obra muito delicada e alegre, composta durante a juventude do compositor.

ensaiando

 

  • Além de concertistas, vocês são professores. Como veem o cenário da música clássica para os jovens hoje?

 

Não é fácil, pois a concorrência é muito grande, mas ao mesmo tempo o meio da música clássica tem se modernizado e está mais aberto a propostas alternativas, como, por exemplo, a interação com outros tipos de música. O público também tem se renovado pouco a pouco. O mais importante, o mais importante para nós é não esquecermos que a música deve estar sempre em primeiro plano; nós estamos a serviço dela e não o contrário.

 

  • Quais são os planos para o futuro do Duo Aurore?

No mês de março, vamos ao Brasil e faremos uma turnê de seis concertos. Nós estamos começando a planejar a gravação do primeiro CD do duo, com obras representativas do repertório para piano a quatro mãos e a dois pianos.

  • Quem quiser ficar conectado com o Duo Aurore é só curtir a página no Facebook. Em breve, o site dos pianistas estará no ar.

 

Escute o Duo Aurore intepretando Ma Mère l’Oye, de Maurice Ravel, clicando aqui.


León

Dia 19, sexta, na Sala Eutherpe, às 20:00.

Onde? Calle Alfonso V, No 10

Gratuito

Informações: 987 248 717 – www.fundacioneutherpe.com


Madri

Dia 21 de fevereiro, domingo, às 19h

Onde? Toccata en A. Calle Felipe IV, 8, 4º Derecha. Metrô Banco de España, L2.

Quanto? 15 euros

Informações: 635 867 572 http://www.toccataena.com/


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