Eleições municipais e estaduais na Espanha

(post em 23/05/2015)


Mudando de assunto. Amanhã é dia de eleger prefeito, vereador, governador e deputados estaduais em Madri e algumas regiões espanholas. Por isso, vou tentar explicar mais ou menos como funciona o sistema político aqui na Espanha.

Para começar, o voto não é obrigatório e a cada eleição chega pelo Correio uma carta indicando onde você deve votar. Segundo, cidadãos da União Europeia também são chamados às urnas nas eleições europeias e municipais (porém, não nas estaduais – autonômicas – e nacionais) e como sou portuguesa com certeza, lá estarei eu para cumprir meu dever patriótico. Finalmente, é possível votar pelos Correios e essa modalidade é válida para os espanhóis que residem no exterior.

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Comício de Podemos, em Chueca.

Aliás, aqui se vota por listas fechadas. Os partidos fazem uma lista com seus candidatos e conforme o número de votos recebidos os candidatos garantem seu assento. O primeiro da lista é o que vai para os debates da televisão e sai nos jornais e quanto mais votado ele for, mais vereadores e deputados ele vai levar. Na prática, isso acontece também no Brasil, onde é possível votar só na legenda e onde o deputado-estrela (alguém se lembrou do Tiririca ou do Enéas?) arrasta os candidatos que não receberam tantos votos.

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Propaganda do candidato da Isquerda Unida, em Tribunal.

Estas eleições estão bem movimentadas. Como o bipartidarismo aqui é muito forte, as eleições acabavam sendo uma espécie de campeonato de futebol espanhol. O resultado final era saber quem ficaria em primeiro ou segundo, porque óbvio que o PP e o PSOE ocupariam essas posições. Sempre há regiões mais tradicionais: o PP governa Madri há mais de vinte anos, o PSOE é mais forte na Andaluzia, mas nunca havia muitas novidades.

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Lista de candidatos e envelopes do Partido Popular para vereador e prefeito, na cor branca; e para governador e deputados, colorido.

Este ano, o cenário mudou. Com a emergência de Podemos – esquerda – e Ciudadanos – centro direita, a eleição esquentou. Os partidos tradicionais tremeram nas bases e os novatos sentiram o baque. As propagandas políticas eram repartidas quase feudalisticamente: bairros que votavam no PP eram cobertos com publicidades desses candidatos, os currais eleitorais do PSOE amanheciam com a clássica mão segurando uma rosa. Em 2015, se viu cartazes de candidatos inusitados nos lugares mais improváveis, os comícios encheram e todo mundo está na expectativa do resultado como há muito tempo não se via.

Amanhã é dia da contenda. Continua.

 


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