Família na Espanha

(post em 26/09/2015)


Como quase todo mundo estou indignada com o que aconteceu esta semana no Brasil. Infelizmente, alguns deputados resolveram definir família como a união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. Imediatamente pensei nas mães solteiras, nos pais solteiros (existem, claro), nas avós que criam os netos, nos homossexuais e em todos aqueles que deseperadamente querem ter um filho, mas não se enquadram em uma definição que não reflete mais a realidade dos tempo.

Comecei a pensar como era aqui na Espanha. Desde 2005, as pessoas do mesmo sexo podem se casar com os mesmos direitos que os heterossexuais: adoção conjunta, herança e pensão. Na época foi uma briga enorme, com passeatas dos dois lados, mas a lei passou. E o que se vê nas ruas? Casais gays passeando com seus filhos, namorados de mãos dadas e casais de garotas também. E só. Ponto. Confesso que estranhei no início, porque não fui criada desta maneira. Porém, com o tempo a gente aprende que no fundo as pessoas só querem as mesmas coisas: serem felizes sem ninguém torrando a paciência.

A luta pelos direitos da comunidade LGTB está em outro nível: casais lésbicos têm direito à inseminação artificial? Como registrar os filhos de gestações sub-derrogadas (conhecida como barriga de aluguel)? Lembrando que isso afeta também os casais hetero. A escola deve falar da diversidade sexual em sala de aula? E por aí vai. Para quem quiser saber mais, o jornal El País fez uma linda séria de reportagens comemorando so 10 anos da lei do matrimônio homossexual: http://elpais.com/especiales/2015/matrimonio-homosexual/

Mas o que é família na Espanha? Família são todas aquelas pessoas que se casaram ou fizeram a “pareja de hecho”, a nossa união civil. Da mesma forma, se reconhecem as famílias monoparentais, onde os filhos – menores de idade – são cuidados ou pela mãe ou pelo pai. Todos têm seus direitos reconhecidos: assistência médica, escola, licenças e ajudas do governo. Descrevi neste post como foi obter o “Livro de Família”, documento que registra toda nossa vida familiar por aqui.

De novo, as reivindicações deste coletivo já passaram a outro plano: mais visibilidade para as mães que não quiseram ou não encontraram um companheiro para dividir as responsabilidades, mais tempo de licença-maternidade para a mãe que cuidará do filho sozinha, políticas públicas para diminuir a discriminação, etc.

E a caravana passa. Não é tão complicado, Senhorias.

 


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