Igreja de San Ginés

(post em 02/11/2013)


Se você está passeando pela calle del Arenal em direção ao Palácio Real e viu uma igreja aberta, entre! Eu sei que a fachada não é convidativa, há músicos e artistas de rua que ficam ali tentando descolar um trocado e atrapalhando a passagem. Ainda é preciso controlar a tentação de ir logo para a chocolateria de mesmo nome, mas você não pode perder esta oportunidade.

Ali está a igreja dedicada a são Ginês, um jovem francês que trabalhava como tabelião para os romanos e a partir da perseguição aos cristãos foi designado para anotar quem era preso. Indignado, ele fugiu, mas foi capturado e decapitado. Provavelmente a devoção ao santo francês chegou a essas terras através dos soldados de Raimundo de Borgoña quando este lutava pela reconquista de Madri. Afinal, a paróquia figura entre uma das mais antigas na cidade e é citada no século 12.

Por fora, a simplicidade característica dos tijolos e pedras, típica de Madri, a torre única e a ex-porta principal ornada em estilo neoplateresco podem nos enganar. Nada indica que esta igreja que data do séc.17 foi extremamente restaurada, sofreu três incêndios e os reveses da guerra civil (1936-1939) guarda verdadeiros tesouros como pinturas de Alonso Cano e El Greco.

DSC07473No altar principal temos o quadro “Martírio de san Ginés” recriado por José San Martín a partir do esboço que a igreja conserva, pois o original se perdeu no incêndio do séc. 19. As colunas neoclássicas verdes ressaltam ainda mais a beleza da obra. Um detalhe também são as tribunas onde os religiosos podiam assistir missa ou cantar os ofícios sem serem vistos.

 

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O edifício abriga várias imagens de alto valor artístico nas diversas capelas laterais. Na capela de Nossa Senhora das Angústias, padroeira da cidade de Granada, encontramos a impressionante escultura do “Cristo caído camino del Calvario”, de 1698, autoria do italiano Nicola Fumo.

 

DSC07468A única nota destoante nas capelas são as grades. É bom por um lado, porque afasta os vândalos; é ruim, por outro, porque transmitem uma sensação que os santos estão mais longe da gente. Também são um documento histórico do tempo em que as confrarias e famílias nobres mantinham suas próprias capelas. A titular desta é Nuestra Señora del Amor Hermoso, uma bonita imagem da Virgem vestida de branco, colocada em altar neoclássico e ladeada pelos seus pais, são Joaquim e santa Ana. Achei o nome tão diferente e a escultura tão bonita que coloquei sua foto como a imagem destacada deste post.

Se não bastassem todas essas maravilhas, a igreja ainda guarda um toque especial para os amantes da música e da literatura. Como informa a placa na entrada, ali foram batizados os escritores Lope de Vega e Francisco de Quevedo e velado o corpo do compositor Francisco Luis Victoria. Não vale a pena entrar e esperar um pouquinho para comer churros?


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