Itinerário da Liberdade

(post em 21/06/2015)


Desde janeiro deste ano, Madri conta com o “Itinerário da Liberdade”, ou um caminho que pode ser recorrido por diversos bairros da cidade onde foram assassinadas pessoas pelas organizações terroristas como a ETA (Euskadi Ta Askatasuna ou «País Vasco e Libertad» ) ou o GRAPO (Grupos de Resistencia Antifascista Primeiro de Outubro). Pode parecer tétrico, mas não deixa de ser extramamente necessário para que as vítimas não caiam no esquecimento.

Entendo que o turista não queira lembrar deste assunto quando visita Madri, mas é preciso. Faz parte da história da Espanha e até do continente europeu uma larga série de assassinatos cometidos em nome da ideologia X e ignorá-los não ajuda a resolver o problema. Contei neste post como a capital espanhola homenageia as vítimas do atentado de Atocha em 11 de março de 2014.

Desde que as placas foram afixadas nas ruas minha relação com o entorno mudou. Aquela loja Zara na calle Goya,47, no bairro de Salamanca, deixou de ser uma simples butique para, de repente, me fazer conhecer que havia um café chamado California 47 onde, em 29 de Maio de 1979, o GRAPO explodiu uma bomba que matou 8 pessoas e deixou ferida outras 40.

Igualmente, um edifício dos anos 20/30, na calle Hermosilla, com seu portão art-déco de ferro trabalhado, onde sempre admirava os desenhos, se transformou na ex-casa do general Gonzalez de Suso que foi assassinado a tiros, junto com seu ajudante, pelo GRAPO. A foto que abre este post é de lá.

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Três dias depois, a movimentada esquina da calle Conde de Peñalver com calle Goya – quem diria – já foi cenário de atentado. A mesma esquina onde hoje está localizada uma loja multimarcas que faz a minha felicidade durante as liquidações. Porém, no dia 7 de maio de 1981, naquele mesmo local, o general Joaquín de Valenzuela, ficou gravemente ferido, enquanto foram assassinados seu ajudante, o tenente coronel Guillermo Tevar Saco, o suboficial de escolta Antonio Nogueira García e o motorista Carlos Rodríguez Taboada, além de dez pedestres ficarem feridos.

Na praça Salvador Dalí, ao lado do Corte Inglês, uma placa nos recorda ao policial Estebán del Amo García que foi designado para desarmar uma bomba que os etarras (membros da ETA) tinha colocado em um carro, no estacionamente do estabelecimento. A bomba explodiu matando o policial e deixou seu colega gravemente ferido.

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Portanto, querido leitor, quando você vier a Madri já sabe que as placas azuis representam um lado sombrio da história recente da cidade e do país.


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