Kandinsky – uma retrospectiva

(post em 19/01/2016)


Eu não gosto de arte abstrata.

Olho para um quadro cheio de riscos e penso que seria capaz de não só fazer aquilo, como faria muito melhor.

Mas, como diria minha ex-professora de canto: quando alguém te criticar, pergunte se a pessoa faria igual ou melhor. Se for o caso, aceite a crítica; caso contrário, ignore-a. Deus sabe o quanto este conselho salvou minha auto-estima!

Por isso, fui à maravilhosa exposição temporária “Kandinsky- una retrospectiva” para me desfazer dos preconceitos e, principalmente entender o processo criativo pelo qual o pintor russo passou. Antes li livros sobre ele e assisti um vídeo que começaram a abrir minha cabeça.

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A exposição está montada pelas fases que Wassily Kandinsky passou e principalmente, os lugares que ele morou; por causa do ambiente político que se respirava na época, as cidades e países influíram diretamente no seu processo criativo. Assim temos um recorrido por Munique, Rússia, Bauhaus, Paris.

No ingresso está incluído o audioguia que explica não só as obras, mas conta um pouco da biografia do artista. Igualmente, traz a gravação de algumas composições que lhe serviram de inspiração como a 5ªSinfonia, de Beethoven ou peças para piano do russo Alexander Scriabin. É essencial contemplar estes quadros ouvindo a música!

A seguir enumero algumas descobertas que fiz sobre o artista.

1 – Kandinsky não nasceu como pintor abstrato. Apesar de ser conhecido pelas suas curvas, linhas, pontos e círculos, no começo da sua carreira ele fez uma série de obras classificadas como “impressionismo tardio” onde o elemento figurativo está presente.

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Cidade Velha

 

2- O rapaz era bem-humorado e deixava transparecer esta ironia em seus quadros. A exposição traz fotos de Kandisky durante sua estadia na Bahaus, quando foi professor da escola, e várias delas o mostram durante festas celebradas na escola. Para quem tem a imagem de artistas como gente sisuda foi um belo choque.

3 – A adversidade também bate a porta dos famosos. Por falta de escassez de telas, o artista começou a produzir pinturas sobre papel. Parar de pintar? Jamais!

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4- Não, eu não faria igual e nem faria melhor. Há um pequeno vídeo que mostra Kandinsky em ação. Ora, a leveza com que ele pega o pincel e transforma o papel em branco fez me recolher na minha insignificância e lembrar-me que é preciso muito treino para transformar cores, traços e pontos em obra de arte.

5 – Contra a ignorância, conhecimento! Não é pecado dizer que não se gosta de um determinado estilo artístico, mas apenas depois de conhecê-lo. Arte abstrata ainda não está incluída no top 10 da minha vida, mas com certeza, após esta exposição, saiu das últimas posições.

Amarelo Vermelho Azul

A estrela da exposição: Amarelo Vermelho Azul

 

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Onde? Palácio Cibeles. Metrô Banco de Espanha, L2.

Quando? Até 28 de fevereiro. De segunda a domingo, de 10 às 20h. Terça 5 de janeiro, de 10 às 13h. Fechado dias 24, 25 e 31 de dezembro; 1 e 6 de janeiro.

Quanto? 11 euros,entrada geral; 9 euros com desconto. Segunda: 5 euros.

As filas continuam grandes, portanto, é melhor comprar pela Internet: https://www.ticketea.com/entradas-kandinsky-retrospectiva-centro-cibeles-madrid/

 


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