Lo nunca visto: de la pintura informalista al fotolibro del postguerra

(post em 06/03/2016)


Semana linda de sol após uma semana de chuva. Chego para dar aula, mas minha aluna avisa que tem almoço de confraternização no escritório. Contenho meus instintos assassinos e sorrio dizendo que não tem problema, vou aproveitar que estou aqui para ir à exposição da Fundação Juan March.

Chego lá toda feliz, mas sinto que o ar está pesado. Ao invés do lindo colorido de Max Bill, as paredes estão cinzas, o letreiro da exposição é vermelho e o subtítulo “pós-guerra” me deixa abalada. Bem, não voltarei atrás e vou enfrentar mais uma exposição de arte contemporânea na minha vida. É assim que se aprende!

Composition [Composición], 1951, Georges Mathieu. Óleo sobre lienzo, 128,5 x 196 cm. Colección Fondation Gandur pour l`Art, Ginebra [inv.: FGA-BA-MATHI-8]. Crédito imagen: © Fondation Gandur pour l`Art, Ginebra. Foto: Sandra Pointet - See more at: http://www.esmadrid.com/agenda/lo-nunca-visto-de-la-pintura-informalista-al-fotolibro-de-la-postguerra-fundacion-juan-march#sthash.KY9Fr6sB.dpuf

Composition [Composición], 1951, Georges Mathieu. Óleo sobre lienzo, 128,5 x 196 cm. Colección Fondation Gandur pour l`Art, Ginebra [inv.: FGA-BA-MATHI-8]. Crédito imagen: © Fondation Gandur pour l`Art, Ginebra. Foto: Sandra Pointet – See more at: http://www.esmadrid.com/agenda/lo-nunca-visto-de-la-pintura-informalista-al-fotolibro-de-la-postguerra-fundacion-juan-march#sthash.KY9Fr6sB.dpuf

A mostra partiu de uma pergunta muito simples: como expressar o horror da Segunda Guerra Mundial através da arte? Como ficaria a arte após esse monstruoso conflito? Diante da bomba atomica e de Hiroshima, o que fazer? Pois foram escolhidos vários artistas europeus de distintas nacionalidades, um americano e um japonês para responder a esta pergunta.

Como o que predomina na mostra é arte abstrara saí de lá sem entender quase nada. Por isso, me programei para voltar dias depois quando a instituição oferece visita guiada gratuita e que dura uns 50 minutos. Foi o melhor que fiz!

A exposição começa com o fotógrafo japonês Kikuji Kawada que retratou Hiroshima na década de 60, num livro intitulado “O Mapa”. As fotografias são projetadas numa parede e do lado oposto, um espelho as reflete. É como se o espectador estivesse preso dentro da imagem que é duplicada e o efeito criado é assustador!

kikujo kawada the map

 

Na paredes, imagens das cidades alemãs bombardeadas, como Colônia, mas com os moradores tentando voltar à normalidade: no primeiro plano está uma procissão religiosa, enquanto edifícios destruídos completam o cenário.

Igualmente, temos pinturas de Antoni Tàpies e fotografias de Francisco Gómez, lado a lado e em pé de igualdade. Para quem entende inglês sugiro que se detenha alguns minutos no fone que recita o poema concretista “The Bomb”, de Gregory Corso onde ele narra seu espanto e diante desse espetáculo inesperado que foi o lançamento da bomba atômica.

rasa_bomb_2

Ao final da exposição temos um grupo de artistas franceses, como Jacques Villeglé, que já descontruíam o pop-art americano usando cartazes e rasgando-os. Um arte mais colorida, é verdade, mas também uma crítica à sociedade de consumo que estamos mergulhados, uma cartasis depois de tantas privações sofridas.

Jacques Villeglé. Boulevard Saint Martin, 1959 Fondation Gandur pour l'Art, Ginebra © Fondation Gandur pour l'Art, Ginebra. Foto: Sandra Pointet

Jacques Villeglé. Boulevard Saint Martin, 1959
Fondation Gandur pour l’Art, Ginebra
© Fondation Gandur pour l’Art, Ginebra. Foto: Sandra Pointet

Após a visita guiada saí de lá feliz, pois consegui me aprofundar meus parcos conhecimentos sobre arte abstrata. Porém, o gosto amargo do pós-guerra me acompanhou até o dia seguindo quando mergulhei na exposição da Fundação Mapfre sobre o Divisionismo italiano, uma corrente artística anterior a Primeira Guerra Mundial. Outros tempos!


 

Horario

Segunda a sábado e feriados: 11:00–20:00

Domingos: 10:00–14:00

Fechado: 24 e 25 de março

Onde? Castelló, 77. Metrô Lista, L4 e Nuñez de Balboa, L9.

Gratuito


Confira outras exposições que fui na Fundación Juan March

Josef Albers

O gosto moderno – art-déco

Max Bill


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