Lusitania: Madrid-Lisboa de trem

(post em 12/07/2016)


Quem vem à Europa, geralmente, aproveita para conhecer mais de uma cidade. Afinal, trata-se de uma viagem longa, cara e que foi intensamente planejada. Um dos destinos preferidos para os turistas brasileiros que vem a Madrid, além de Barcelona, é fazer um combinado com Lisboa. Acho que nem preciso divagar muito sobre as razões que nos levam à capital portuguesa, pois parece um pouco óbvio. Por muita implicância que temos e piada que fazemos, é inegável querer visitar uma das nações que deram origem ao Brasil.

Assim, que tal ir de trem de Madrid a Lisboa ou vice-versa?

Trem Lusitânia

Viajar de trem pela Europa está no imaginário do turista brasileiro. Como já não podemos fazer isso no Brasil, só resta aguardar a tão sonhada viagem às Zoropa para realizar este desejo. Infelizmente, as passagens de trem são caras e alguns trajetos demoram mais. Porém, o trem ganha de longe no quesito conforto e dependendo do lugar, as estações ferroviárias estão mais bem localizadas que os aeroportos.

Com isto em mente, uma boa opção para ir a Lisboa pode ser o trem noturno Lusitânia, que sai diariamente da estação de Chamartín em direção capital portuguesa. A viagem dura nove horas e cinco minutos, e faz paradas em várias cidades da Espanha e de Portugal, e é o máximo dormir em Madrid e acordar em Lisboa, ou vice-versa.

Confira as classes disponíveis no trem Lusitânia:

Turista: O viajante pode optar por ir sentadinho na poltrona, mas é preciso levar em conta se você tiver menos de 30 anos ou se estiver no seu primeiro mochilão, pois fatalmente todos os seus músculos estarão doendo no dia seguinte.

Cama preferente: Também é possível dividir uma cabine com quatro camas (duas beliches) com outros passageiros. Neste caso, não há banheiro na cabine, somente o lavabo. As cabines são separadas por sexo e é basta torcer para ninguém roncar que a viagem será agradável.

Cama gran classe: Mas a cereja do bolo é poder viajar numa cabine privativa, com uma beliche, banheiro com chuveiro e uma necessáire com objetos de higiene pessoal. É mais caro, entretanto a privacidade e o conforto estão garantidos.

Como a crise apertou, o vagão-restaurante foi eliminado e agora só há cafeteria. Nada contra, mas esqueça a ideia de romântica de um vagão-restaurante, iluminação baixa e um inegável clima de mistério no ar. As cafeterias ficam cheias e não é incomum acabar a comida no meio da viagem, sem falar nos preços proibitivos. Melhor levar um lanchinho na mochila e comer na cabine.

Viajei neste trem em 3 ocasiões distintas. A primeira fazendo um mochilão e achei sensacional a ideia de reviver as minhas viagens de trem Rio-Belo Horizonte (sim, peguei este tempo). O dinheiro só me permitiu comprar uma passagem de poltrona e realmente não foi uma experiência das mais confortáveis, mas nada que minha felicidade por estar pela primeira vez na Europa não compensasse. Para dar o troco, na viagem Madrid-Paris, resolvi me dar de presente ir numa cabine com mais quatro coleguinhas. Graças a Deus ninguém roncou!

Nas demais ocasiões estava bem acompanhada e fui na Gran Classe. Realmente, é como brincar de casinha, pois as dimensões da cabine são exíguas. No entanto, em poucos minutos estávamos acostumados e, inclusive, foi possível tomar banho. Posso falar com propriedade que dormir com o balanço do trem é uma experiência única e que deveria estar na listinha de desejos de quem gosta de se aventurar neste mundão.

Valores

Os preços da passagem variam de acordo com a classe, mas principalmente, de acordo com a temporada. No verão, alcança fácil de 48 euros a 162 euros e os trens lotam! Já de setembro a dezembro (exceto no período das festas de fim de ano) é possível encontrar valores de 24 a 96 euros.

Para completar:

Se você gosta de trens e afins, não deixe de visitar em Madrid:

Museu do Ferrocarril

Estação Fantasma

 

 


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2 Comentários

  1. Alexandra diz:

    Olá Juliana,

    Que bom reler os seus textos (agora na minha querida Lisboa ;)), faz um tempo lhe escrevi para ter mais informações sobre os bairros e as escolas em Madrid.
    Como mencionei na altura, sou uma brasileira que viveu por 18 ano em Lisboa e um dia (em meio a crise europeia), acabou por regressar as terras do Brasil, só que na bagagem seguiram dois adicionais (um marido e uma filha, ambos portugueses), agora passados 5 anos, carregados de uma saudade gigantesca de todos e sobretudo de tudo, estamos decididos a regressar a Santa Terrinha ;), pois a inadaptação ao estilo de vida brasileiro tornou-se agonizante para o que almejamos como qualidade de vida, para o que desejamos para o nosso futuro … assim, até breve 😉
    Quem sabe um dia nos cruzamos nos museus de Lisboa 😉 Boa sorte em seus projetos e na sua estada na capital portuguesa 😉

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