Madrid Gallery Weekend

(post em 11/09/2015)


Com o intuito de aproximar as pessoas ao mundo da arte contemporânea, a Fundação ARCO, responsável pela Feira Arco e a Art Gallery, tiveram uma ideia genial: promover passeios guiados pelas galerias da cidade. Ano passado eu perdi o prazo para me inscrever, mas este ano, fiquei espertinha e consegui participar de dois eventos.

Os roteiros são organizados por três bairros e uma rua: Salesas, Bairro das Letras, a calle Doctor Fourquet e Bairro de Salamanca. Além disso, várias instituições de peso como o Museu Thyssen, o Museu Reina Sofia e a Fundação Lázaro Galdiano, abrem suas portas para visitas exclusivas. Sábado de manhã, dia 12, várias galerias abriram as portas e serviram um brunch para os visitantes. Afinal, também o gosto artístico se fisga pelo estômago…

Escolhi (e consegui) participar do recorrido pelas Salesas – onde está a igreja de santa Bárbara e o Instituto Francês – e da exposição de Zurbarán:una nueva mirada, no Museu Thyssen.

Quinta-feita de manhã estava eu toda feliz, na porta da galeria Elvira González, para me iniciar neste desconhecido universo. No grupo havia pintores, um casal de estudantes mexicanos recém-chegados, aposentadas de plantão e curiosos. Fomos acompanhados de duas guias que nos explicavam a história das galerias, dos artistas que íamos ver e da exposição em si. A recepção era calorosa e em algumas delas, os próprios donos intervinham e comentavam as obras. Como todos estão voltando ao trabalho nesta época, a maioria das mostras sequer havia sido inaugurado e nós fomos os primeiros a ver as montagens! Um luxo!

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Infelizmente, vou ter que resumir meu relato e por isso, vou destacar somente algumas obras. Tem mais fotos no instagram: @rumoamadrid

Começamos com a galeria Elvira González, mas tivemos que deixar para mais tarde, pois estavam fotografando as obras para a imprensa. Seguimos para a galeria ao lado, e descobri a obra do belga Alain Arias-Mission, um poeta concretista que saiu passeando com a palavra “Madrid” pelas ruas da capital e ia formando diversas palavras. A perfomance foi registrada em fotografias que posteriomente serviram para as colagens.

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Seguindo a caminhada, visitamos as obras da galeria Astarté, onde a artista espanhola Olalla Gomez nos presenteava com uma interessante obra sobre reflexão política com a instalação “La Transacción”. O título é um jogo de palavras com o significado de “transación” que pode ser uma negociação, mas também designa o período histórico quando a Espanha deixou de ser uma ditadura para ingressar na democracia. Na sala, em vitrines, papel, pedra e tesoura. Enquanto isso, fotos de políticos dos anos 70 e de hoje, lado a lado e projetados na parede, ambos sempre aparecem com as mãos abertas, fechadas ou em forma de tesoura. Estes gestos nos remetem ao jogo de pedra, papel e tesoura que encontra mil possibilidades de resultado. O espectador pode parar a projeção e perguntar: quem ganha desta vez? Quem perde? E por aí vai…

 

O melhor estava por vir. Na prestigiada galeria Malborough tivemos a particição especial da galerista Anne Barthe para nos mostrar a obra do americano Clive Smith. Preocupado com a extinção dos pássaros, Smith criou telas onde figuram ninhos em cima de pratos de porcelona decorados de pássaros. Ao lado, quadros que se abriam em livros, onde ele retratou os pássaros e sua semalhança com os pintores de todos os tempos. Emocionante.

Malbourgh

Adiante, mais descobertas na galeria Cayón, onde tive a opotunidade de conhecer o célebre criador do azul Klein. Meu Deus! Sempre tinha ouvido falar nessa tonalidade, mas nunca tinha parado para pensar que poderia ser um ser humano que estava por trás disso! Santa Ignorância, valei-me! Em um branco impoluto, as peças azuis se ressaltavam, como a máscara ou galhos secos pintados com o azul que imortalizou o francês Yves Klein. Claro que cheguei em casa e vi todos os vídeos possíveis sobre o artista e recomendo que você faça o mesmo. A foto que abre o post é uma obra do artista.

Por fim, encontrei com um amigo, o pintor alemão Josef Albers, na galeria Pilar Serra, especializada em artes gráficas. Fiquei amiga dele numa exposição da Fundação Juan March e o fato dele estar em outra dimensão não impede nossa conversa. Estavam lá seus famosos quadrados e uma série sobre maternidade simplesmente apaixonante. De novo, tivemos a bela intervenção de Pilar Serra, contando-nos sobre a vida deste artista alemão e sua obra. Porém, o mais emocionante foi quando um dos pintores tomou a palavra para fazer uma pequena homenagem a ela, que foi a primeira galerista a se dedicar a artes gráficas em Madri. Ai, gente! Quase chorei, né?

Josef Albers

 

 

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