Modernidad.Fotografía Brasileña (1940-1964)

(post em 13/01/2016)


Já cumpri minha obrigação de visitar algumas exposições temporárias em Madri para deixar meus leitores informados: Edward Munch, Max Bill, Pierre Bonnard, Titanic e Julio Verne/ Theo Jansen. Acreditem: ainda falta um bocado!

Em cartaz no Círculo de Belas-Artes, a exposição “Modernidad.Fotografía Brasileña (1940-1964)” onde estão expostas as obras de Marcel Gautherot, José Medeiros, Thomaz Farkas e Han Gunter Flieg. Para quem gosta de fotografia em preto e branco é um programa imperdível. A mostra foi concebida originalmente para o Museu da Fotografia de Berlim, em parceria com o Instituto Moreira Salles, que guarda o acervo dos fotógrafos.

Só a biografia dos quatro fotógrafos já desperta curiosidade. O francês Marcel Gautherot, que chegou ao Brasil em 1939 e não conseguiu voltar à França quando estalou a Segunda Guerra Mundial. Trabalhando para o Serviço do Patrimônio Histórico, ele registrou tanto a arquitetura colonial como a de Oscar Niemayer. Através das suas lentes, vemos seus registros da construção de Brasília e do emblemático edifício do Ministério da Educação e Cultura no Rio de Janeiro, ou das igrejas barrocas de Minas Gerais.

marcel

O húngaro Thomaz Farkas desembarcou em São Paulo aos seis anos e cuja família dedicava-se a comercialização de material fotográfico. A obra de Farkas trata da a inauguração de Brasília, onde está patente o contraste entre os prédios terminados, mas com o entorno por fazer e as pessoas humildes chegando para a abertura. A série dedicada ao estádio do Pacaembu em São Paulo, nos mostra um profissional que explorava os limites entre o figurativo e o abstrato quando se dedicava a clicar a arquitetura da metrópole.

P004TF0766-31

As fotografias do alemão Hans Gunter Flieg refletem a industrialização brasileira de cidades como Osasco e São Bernardo do Campo. Nascido na Alemanha, em 1923, Flieg se instalou em São Paulo aos dezesseis anos fugindo do antissemitismo nazista. Trabalhando como fotógrafo profissional, ele registrou as montadoras de automóveis como Mercedes-Benz e Willy-Overland, dona do famoso AeroWillys. Lembrei na hora das histórias do meu avô e seu intrépido AeroWillys que tantos “causos” renderam na família.

José Medeiros é o único fotógrafo da mostra nascido no Brasil, no Piauí. Sua família se mudou para o Rio de Janeiro e Medeiros foi trabalhar na mítica revista “O Cruzeiro”, em 1946, sob supervisão de Jean Mazon. Como fotojornalista, Medeiros cobriu eventos como a reação popular ao suicídio de Getúlio Vargas, os desfiles de Sete de Setembro e o Carnaval carioca, e o cotidiano dos frequentadores da praia de Copacabana. Não há como se lembrar da música de Tom Jobim ao contemplar as fotos “desse Rio de amor que se perdeu”. É duro ver uma Avenida Presidente Vargas praticamente vazia! Escolhi a foto dele para abrir este post.

No mais, a exposição é um ótimo motivo para ficar mais tempo no lindo edifício do Círculo de Bellas-Artes.

Onde? Círculo de Belas-Artes. Metrô Banco de Espanha, L2.

Quando? 5/11 a 31/01. De terça a domingo, de 11:00 a 14:00 e de 17:00 a 21:00h

Quanto? 4 euros.

O Rumo a Madrid agora está no Instagram com o nome de @rumoamadrid. Siga a gente por lá!

 

 

 


Compartilhe |


0 Comentários

Deixe o seu comentário!

Copyright © 2013 Rumo a Madrid

Criação e desenvolvimento Guttdesign

Follow

Get every new post delivered to your Inbox

Join other followers