Negra Cruda Desnuda

(post em 16/10/2018)


A poetisa Mel Duarte chega a Madrid, dia 17 de outubro, na Livraria Mujeres y Compañia, às 19:30, para apresentar seu segundo livro “Negra Cruda Desnuda” (Ed. Ambulantes, 2018).

A obra aparece num bom momento onde a discussão entre o público e o privado rompeu as barreiras no Brasil. Não muito tempo atrás, vozes como a de Mel Duarte não seriam escutadas por uma audiência ampla, mas ficariam confinadas na periferia ou ao público especializado.

Felizmente, as redes sociais e o empreendedorismo desta artista nascida em 1988, em São Paulo, nos aproximam de uma realidade de negações, sonhos irrealizados e preconceito. Mel Duarte, entretanto, como ela mesma afirma, escolheu usar a palavra como arma.

Utilizou a poesia, a rima, o rap como seu meio de comunicação, para lembrar às mulheres negras sobre sua ancestralidade, que antes de estarem ali, outras as precederam e a memória tem que ser avivada cada vez que uma injustiça é cometida.

Suas palavras soam contundentes como uma arma, mas não perdem a delicadeza. Sabe que deve lutar como uma leoa, mas até as leoas guardam carinho para suas crias e isso a faz tão interessante para nestes tempos de feminismo agressivo que alguns setores sustentam.

Mais que um alento, os versos de Mel Duarte são um convite à resistência às injustiças, tenham elas a cor política que tenham. Por isso, em tempos tão perturbadores para o Brasil e para o mundo, só nos restas aproveitar a excelente tradução de Aline Pereira da Encarnação e jamais esquecer que, como as mulheres negras, só agachamos a cabeça quando nos colocarem uma coroa.

Paráfrase dos versos do poema Menina Melanina:

Negra, negrita,

no hagas caso a esas personas,

y agacha la cabeza solo

cuando vayan a colocarte la corona.


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