Panteão dos Homens Ilustres

(post em 09/08/2015)


No século 19, quando o conceito de nação começou a ser criado, estava na moda criar um monumento que reunisse as grandes figuras do Estado-Nação que nascia. Surgiu, assim, a ideia do Panteão que abrigaria os corpos de escritores, políticos, heróis de guerras pátrias e tudo mais que a imaginação dos políticos poderia conceber. Já visitei três na minha vida: Paris, Lisboa e Lima. Acho essa visita genial porque você conhece a história do lugar, de quem está enterrado ali e de quebra, admira lindas esculturas.

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Pois aqui em Madri também há um Panteão. Pertinho da estação de trem de Atocha fica no mesmo terreno na Real Basílica de Nossa Senhora de Atocha. está meio contramão da rota turística tradicional, mas o passeio pode ser completado com uma visitinha ao Museu de Antropologia e à igreja. Ou ainda, antes de embar para alguma cidade – com Toledo, por exemplo – é possível ir ali. Construído entre 1892 e 1899 em estilo neo-bizantino, com cúpulas de ferro e decorado em mosaicos, o projeto original não chegou a ser concluído pelo seu custo elevado, mas o que foi feito é muito bonito.

Os melhores escultores da época foram convocados para fazer as obras. Assim temos uma pequena mostra do melhor em monumentos fuenerários do começo do século 20, na Espanha. Para quem gosta de fotografar é perfeito, pois as esculturas estão no mesmo nível e a luz, em dia de sol, entra generosa pelos vitrais.

O monumento abaixo foi realizado por Mariano Benlliure, para o túmulo de Práxedes Sagasta (1825-1903), político do conturbado período reinado de Isabel II. Engenheiro de formação, Sagasta era liberal e defendia a monarquia constitucional contra os que desejavam o absolutismo ou a república. Notem como ele repousa no travesseiro sendo velado por uma senhorita que tras nas mãos um livro escrito “História”! Será que pensaram em mim ??

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Outro monumento sensacional é aquele em homenagem a José Canalejas (1854-1903), também esculpido pelo craque Mariano Benlliure. Aos 27 anos, Canalejas já era deputado, foi ministro em diversas ocasiões e presidente do Conselho de Ministros. Liberal e companheiro de partido Sagasta, o político foi a Cuba durante a guerra entre Estados Unidos, Espanha pela ilha e visitou Marrocos junto a Alfonso XIII, instituiu o serviçp militar obrigatório e aboliu impostos que encareciam produtos de primeira necessidade. Canalejas foi assassinado a poucos passos da Porta do Sol madrilenha por um anarquista e dias depois fizeram um documentário sobre a morte e o enterro dele que podem ser vistos aqui.

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Há mais esculturas e ainda existe o belo pátio interno (a foto que abre este post é de lá), mas fico por aqui. Pequeno e interessante, a visita ao Panteão não cansa e faz a gente se sentir mais inteligente.

Onde? Calle de Julián Gayarre, 3 – Metrô Atocha Renfe, L1.

Quando? Terça a sábado, de 10 às 14h e 16:00 às 18:30.

Quanto? Gratuito

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