Parir, de Santi Senso

(post em 20/10/2018)


A maternidade nunca foi tão questionada. Se antes era o único caminho para qual a mulher estava destinada, agora parece que ter filhos é uma opção. No momento em que se debates sobre a liberdade da mulher em escolher reproduzir ou não, o ator e dramaturgo Santi Senso volta aos palcos com mais um Ato Íntimo onde desvela sua alma diante de mais uma encruzilhada: o desejo que um homem tem de parir.

Por sua própria natureza sabe que este desejo nunca poderá ser satisfeito, mas mesmo assim, tal quais os heróis, se rebela e empreende uma viagem para tentar satisfazer esta vontade. Assim, durante todas as sextas-feiras de outburo e novembro, “Parir.Volver al Vientre” está em cartaz no Teatro de las Culturas, esperando que embarquemos nesta caminhada em direção a nós mesmos.

Para esta jornada, Santi Senso conta com a ajuda de quem pode parir: as mulheres. Através da experiência de distintas atrizes somos levados à nossa infância, ao momento do nosso nascimento e também daqueles que estão presentes. Porque os Atos Íntimos são como sessões de terapia sem psicólogo, uma torrente de questionamentos que ninguém fica indiferente e as reações vão depender de quão aberta está nossa mente e nosso coração.

Parir, mais uma experiência teatral do ator e diretor Santi Senso. Foto: Marta Attharam

Em “Parir.Volver al Vientre” Santi Senso conta com o poderoso jogo de luz de Sergio Laguna e expõe no palco elementos que rementem aos partos ancestrais e primitivos. Um pequeno altar com um boneco de bebê, uma corda na qual as indígenas utilizam para se agarrar no momento da dar a luz e música como cantigas de ninar, além da trilha sonora assinada por Santiago Córdoba.

Observa-se que o ator está cada vez mais consciente de sua interpretação e de sua assombrosa capacidade para lhe dar com os imprevistos cênicos que uma obra como a sua pode acarretar. Mas os Atos Íntimos foram feitos para aproveitar o inesperado e devolvê-los em forma de texto.

No entanto, Santi Senso parece que escutou somente as histórias negativas, de ausência e dor. Esquece-se que existem homens mais sensíveis às necessidades femininas nesta hora tão importante. Homens que até engordam durante os nove meses, homens que desmaiam de emoção na hora do parto, homens que choram quando o filho nasce.

Porque se os homens não tem útero, tem um coração que pode gestar e parir. Alguns vão dizer que são poucos, outras mesmo vão afirmar que estes homens não existem, mas parafraseando o ditado espanhol: que los hay, los hay.

Onde?

Teatro de las Culturas

(C/San Cosme y San Damián 3, Lavapiés)

Quando?

26 de outubro – 21h

Novembro – sexta – 2, 9, 16, 23 e 30 – às 21h


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