Palácio Real de la Granja de San Ildefonso

(post em 13/06/2016)


Todo mundo já ouviu falar de Segóvia e do seu ultra-mega-famoso Aqueduto que merece a visita. Aliás, cada vez mais a cidade é preferida pelos brasileiros, junto a Toledo para fazer um famoso bate e volta de Madrid. Muito bem, queridos!

Mas pertinho dali há uma atração maravilhosa que vale a pena ser visitada, tanto no inverno quanto no verão, pois cada estação guarda seu charme e beleza. Está há 13 quilômetros de Segóvia e a 80 quilômetros de Madri. Trata-se do Palácio Real de la Granja de San Ildefonso, complexo construído pelo rei Felipe V, tal qual sua Versalhes natal.

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Como ?? O rei da Espanha era francês?

Calma, gente! Sou professora de história, lembram-se? A tia está aqui para isso!

O rei espanhol Carlos II, da Casa Áustria, não teve filhos. Isto sempre era um problema, porque a primeira obrigação do soberano é gerar um herdeiro que dê continuidade à família. Pois bem, quem seria o próximo rei da Espanha? A solução foi procurar entre os descendentes próximos – filhos (homens, bem entendido) – sobrinhos do rei falecido.

Assim, as nações grandes nações europeias se reuniram para decidir quem seria o próximo rei da Espanha. Como ?? Sem consultar os espanhóis? Sim, eles estavam presentes, mas como sempre, cada um também tinha suas preferências. Vou poupar vocês dos detalhes, mas haviam dois fortes candidatos: José Fernando de Baviera, do Sacro-Império Germânico e Felipe, filho do príncipe francês Luis de França, ambos sobrinhos-netos de Carlos II.

Com a morte de José Fernando, os franceses se sentiram livres para impor “seu” herdeiro. Entretanto, foram necessários 15 anos de guerra até que Felipe V fosse aceito pelos demais reinos europeus como rei definitivo.

Ufa! Consegui explicar mais ou menos? Então, vamos continuar o passeio:

Quando visitar?

No inverno ou no verão, a beleza do lugar é garantida. Como só a visitei na primavera, no mês de junho, deixo o relato da minha amiga Sandra Brockson, sobre seu passeio durante o inverno.

A cidade

Praticamente construída à sombra do palácio, pois a corte queria ficar perto do Rei quando este passava o verão ali. Assim, várias casas e edifícios eram antigas residências de nobres que se mudavam para ali. Novamente, assim como aconteceu em Buitrago de Lozoya, os deuses das viagens nos agraciaram com a Feira Barroca e pude ver várias pessoas vestidas como no século 18. Um detalhe: a única diferença entre as Feiras Medievais e Barrocas na Espanha são os trajes, pois os produtos vendidos nas barracas são os mesmos!

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A Feira Barroca acontece, geralmente, no primeiro fim de semana de junho.

Real Colegiata da Santíssima Trindade

A igreja é feita em estilo barroco, com profusão de dourados, um órgão e belas pinturas. Na lateral, uma capela guarda os restos de Felipe V e de Isabelde Farnseio, num túmulo de mármore. A sepultura dos monarcas está ladeada por anjos e ao pé estão esculpidos símbolos da monarquia como a coroa e o cetro. Infelizmente, não está permitido tirar fotos deste lugar.

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Jardins

Planejado em estilo francês é uma delícia passear por suas ruas arborizadas e encontrar, no final de cada uma delas, rotundas onde estão esculturas de deuses gregos e fontes que fazem a delícia dos visitantes no verão, pois é possível curtir o espetáculo das águas. Cuidado para não ficar muito próximo e tomar um banho!! De qualquer maneira, um pouco de água no seco verão segoviano cai muito bem…

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Palácio Real

As obras de construção do Palácio começaram em 1721 e seguiram os gostos franceses. Se você já esteve em Versalhes, vai se lembrar do palácio que “abraça” o visitante com um bonito pátio na frente. No interior, a sucessão de cômodos é a mesma, e a sensação que temos é que a casa não termina nunca, pois os aposentos vão se multiplicando do forma indefinida.

De todas as maneiras, as dimensões do palácio espanhol são mais modestas do que seu homólogo francês. Ainda existem móveis e afrescos originais, porém cada inquilino foi dando seu toque pessoal, como vários exemplares de relógios de Carlos III e Carlos IV, as inevitáveis salas de porcelana chinesa ou de decoração japonesa; a sala para os homens fumarem e os salões reservados às damas. Estamos no século 18, definitivamente!

Pausa: é inevitável comparar este edifício com o Palácio Real e o Palácio Real de Aranjuez. Aliás, o primeiro também teve sua construção iniciada durante o reinado de Felipe V.

Ainda admiramos as tapeçarias que enfeitavam os quartos e salas do Palácio, algumas delas feitas em Bruxelas, antes da abertura da Real Fábrica de Tapetes, pelo próprio Felipe V. No primeiro andar, contemplamos as reproduções da bela coleção de esculturas que o soberano comprou da rainha Cristina da Suécia. As originais estão expostas no Museu do Prado.

Como chegar?

A melhor maneira é ir de carro. É possível ir também de trem e ônibus até Segóvia e dali pegar um ônibus para a Granja. Mais informações aqui (em espanhol): http://www.webdelagranja.com/conocer/llegar.php

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Valores:

A entrada custa 9 euros e a reduzida, 4 euros.

Para visitar somente o Jardim, a entrada custa 4 euros.

É sempre bom consultar dias e horários de abertura para evitar surpresas desagradáveis. Neste site, em espanhol, você encontra toda informação: http://www.patrimonionacional.es/real-sitio/palacios/6252

 

 

 


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