Tarragona – parte 1

(post em 30/06/2016)


Quem escreve sobre uma cidade em particular e dicas de viagens também precisa…viajar! Agosto, é o mês de férias por excelência na Europa e o povo foge para o mar ou a montanha. Confesso que ficava receosa de ir à praia na Espanha. Afinal, o que uma pessoa que frequentou Itacoatiara e Camboinhas, em Niterói, conhece a Região dos Lagos, passou as férias em Santa Catarina e na Ilha Grande e a lua de mel em Arraial d’Ajuda poderia esperar? Claro que a Espanha tem praias lindas, mas desse assunto eu entendo e não seria qualquer pedaço de areia que iria abalar meu coração.

Depois de pesquisar algumas cidades e resolver a dificílima equação “atrações turísticas + praia + preço acessível”, decidimos ir para Tarragona, na Catalunha. A cidade foi a primeira a ser fundada pelos romanos e guarda importantes sítios arqueológicos como o Anfiteatro, parte do Circo Máximo e da muralha. Sem contar a catedral, o Museu Nacional de Arqueologia e – a grande surpresa da viagem – o Museu de Arte Contemporânea. Ainda ganhamos um extra ao coincidir com a festa do padroeiro da cidade, São Magís, celebrada dia 19 de agosto.

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Ruínas do Circo Máximo

Outra vantagem de Tarragona é que ela está há 02:45 de Madri, em trem de alta velocidade, e no meio do caminho entre Barcelona e Valência. Comprando com antecedência, a passagem de trem sai em conta e, por experência própria, é o melhor meio de transporte para quem tem filho pequeno. A estação feroviária de Tarragona está no meio do nada com coisa nenhuma, mas um ônibus te leva ao centro por dois euros e de lá pegamos um táxi até o nosso hotel. Fácil, fácil.

Alguns amigos espanhóis comentaram que Tarragona estava em outro país. Achei que era exagero, apesar de Tarragona estar na Catalunha. Pensei, cá com meus botões, que seria como em Barcelona, onde prevalece o bilinguismo, porém tomamos o primeiro susto ao perceber que todas as placas estavam escritas somente em catalão. Por receber muitos turistas franceses, mais de um funcionário se dirigiu a nós neste idioma e só depois nos falou em castelhano. Isso sim, sem cara feia, e sendo solícitos. Nas ruas, a bandeira catalã estava por todos os lados e não vi uma só camisa do Real Madri. Nunca me senti tão gringa nestes cinco anos que aqui estou.

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Com um pouco de esforço dá para entender o catalão.

Questões políticas à parte, dessa vez prometi a mim mesma que ia descansar e dar um tempo nesse negócio de ser historiadora 24 horas por dia. Por isso, escolhemos um hotel afastado do centro (10 minutos de ônibus), mas pertinho da praia. O Google nos indicou que ao longo da praia passava a linha do trem. Como assim? Vou estar me brozeando e vou escutar apitos? Muito louco, mas era extamente isso. A linha de trem passava em cima de um viaduto e de tempos em tempos a locomotiva dava ao ar de sua graça! Imaginem a cena em Ipanema!

Chegamos felizes e fomos conhecer a tal praia de Arrabassada (hahahaha). A praia só tinha TRÊS quiosques e dois funcionavam como restaurantes também. Primeira lição: não existe vendedor ambulante! O silêncio só é quebrado pelas ondas do mar, e neste caso exclusivo, pelo barulho do trem. Muito esquisito estar na praia sem ouvir o “ó o mate”, “vai espetinho de camarão, aê?” e o meu preferido: “olha o queeeeijo coaaaalho na brasa”. Parecia mais um retiro espiritual que praia.

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Praia de Arrabassada

Muito bem equipada com chuveiro e acessibilidade garantida com rampas e tablado de madeira, a praia era mansa, com ondas quebradas, de águas claras, nem fria e nem quente, de areia escura e sem conchas. A maioria do público eram famílias e quem pensa em ver corpos esculturais ou gatinhas e gatinhos de plantão é bom evitar o lugar. Segunda lição: o top less é liberado e as vovozinhas são as que menos têm vergonha de mostrar os seios. Quer saber? Gostei!

Entre um mergulho e outro, íamos ao centro conhecer a cidade. Os romanos, ao chegarem por aquelas bandas, fizeram o de sempre quando conquistavam um território novo: construíram templos, foruns, o anfiteatro, o Circo Máximo, o aqueduto e todos edifícios necessários para uma cidade funcionar tal qual Roma. Tarraco, como era chamada naqueles tempos, se constituiu no porto de entrada para a conquista da Hispania. Assim tratamos de conhecer alguns lugares importantes que valem a pena visitar e essa história contarei para vocês em breve.

Clique aqui para continuar a ler sobre Tarragona.

Post revisado em 01.07.2016

 

 


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