Toledo – parte 2

(post em 09/12/2013)


Toledo é a cidade das três culturas: judia, muçulmana e cristã. Assim como Alcalá de Henares e outras cidades da Espanha, essas três religiões conviveram em relativa harmonia nestas terras. Apesar das proibições de não poder exteriorizar ritos ou portar símbolos da sua fé, judeus, muçulmanos e cristãos intercambiaram conhecimento e produtos vivendo lado a lado. Nesta segunda parte vamos conhecer um pouco mais da “Judería” ou o bairro onde moravam os judeus. Mas antes, que tal um cafezinho?

Doces

Cansados de passear por Toledo ? Então, o melhor a fazer é procurar uma das milhares lojas que vendem marzipan e se deliciar com este doce de amêndoas. Diz a lenda que ele foi inventado durante o cerco sofrido pelos muçulmanos no século 12. Como não havia nada para comer misturaram amêndoas e açúcar para fazer pão e sobreviver. Verdade ou não, a cidade é referência neste doce e a maioria dos conventos o vende também. Como adoro tomar café e comendo um docinho acabamos fazendo um pit-stop no “El café de las monjas” simpático estabelecimento onde você pode comprar uma caixa dessa iguaria e tomar um cafezinho. Detalhe fofo é a vitrine onde estão várias bonequinhas de monjas clarissas fazendo o bendito doce.

Sinagoga de El Trânsito e Museu Sefardí

Corria o ano de 1355 quando o tesoureiro do rei de Castela começou a construir uma sinagoga na cidade de Toledo. A construção de um espaço público de oração estava proibida, mas havia algumas prerrogativas que permitiam ao rei conceder este benfício. Samuel Levi aproveitou-se desta brecha e em dois anos levantou uma sinagoga no bairro judeu que funcionaria até a expulsão dos mesmos em 1492.

A partir daí o belo edifício mudéjar passaria por vários donos e seria transformado em sede de ordens militares, hospital, ermita ou simplesmente abandonado a sua sorte para ser resgatado e aberto como museu em 1971.

Do edifício em si estão conservadas a galeria das mulheres, a sala de oração e os belos pátios que abrigam obras de arte. Vale a pena ficar com torcicolo para contemplar o belo teto e tentar diferenciar os vários ornamentos esculpidos nas paredes.

Já o acervo do museu mostra um pouco do cotidiano dos judeus desde a antiguidade, no oriente e na Península Ibérica sob governo romano, visigodo e cristão. São exibidos vários objetos e roupas para as diversas cerimônias judaicas que marcam a vida como a circuncisão, a maioridade, o casamento e a morte. Imperdível para quem gosta de arte, cultura e história.

Onde? Calle Samuel Leví s/n

Quando?

  • Verão: de 1 de abril a 30 de setembro, de terça a sábado de 9:30 a 20:00 horas.
  • Inverno: de 1 de outubro ao 31 de março de terça a sábado de 9:30 a 18:30 horas.

Quanto?

Normal: 3 euros

GRATUITA:
– Sábados a partir de las 14:00 horas até o fechamento e domingos.
– Menores de 18 anos

El Greco: igreja de São Tomé

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El Greco no Museu de Santa Cruz

A cidade de Toledo abrigou boa parte da intelectualidade espanhola do seu tempo. Afinal, os grandes empregadores da época, a Corte e a Igreja tinha ali sua sede. Um artista que se dirigiu para Toledo, na esperança de conseguir encomendas, foi El Greco. As obras deste original pintor podem ser vistas em Madri, no Museu del Prado e em Toledo no Museu de Santa Cruz e também naquela que seria a sua casa na cidade, o museu del Greco. Não posso comentar sobre o local porque não estive lá, mas juro que vou corrigir esta falha. (Já corrigi! Clique aqui.).

Contudo, posso fazer um comentário sobre a igreja de São Tomé onde está exposta a pintura “O enterro do Conde de Orgaz“, de 1587. Este templo foi inteiramente reformado pelo nobre e este, ao morrer, dispôs que uma certa quantia de animais e dinheiro seria diposta ao pároco e aos pobres. Ora, por 200 anos, “esqueceram” de cumprir a última vontade do senhor de Orgaz e assim, o padre Andrés Núñez de Madrid resolveu pleitear a parte da herança que lhe cabia. Tão feliz ele ficou com a sentença favorável que encomendou a um pintor e paroquiano um quadro que retratasse à descida ao túmulo do estimado nobre.

El Greco - The Burial of the Count of Orgaz

El Greco pinta a cena a partir da descrição feita na lápide do conde onde se precisa que no momento do enterro teriam descido dos céus santo Agostinho e santo Estevão e o céu teria se aberto em glória. Estão presentes ali a nobreza da época, os dignatários eclesiáticos e religiososo, todos compenetrados e sem perceber a visão celestial que se desenrola acima de suas cabeças.

Um detalhe curioso é que El Greco coloca seu filho na cena. Jorge Manuel Thethocopulli é o menino à esquerda que olha diretamente ao espectador apontando para a casula do padre ao seu lado e por extensão, a deposição do corpo do nobre ao túmulo.

Onde? Plaza del Conde s/n

Quanto? 2,30 euros

Quando? Verão (15 de março ao 14 de outubro): 10h a 18:45

Inverno (15 de outubro ao 14 de março): 10h a 17:45

Toledo ainda guarda a Casa Museu de El Greco e o Museu de Instrumentos de Tortura. Clique aqui para saber mais sobre esses lugares.


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