Votei para prefeito

(post em 26/05/2015)


Cumpri meu dever de cidadã e lá fui depositar minhas esperanças na urna transparente. Cometi um erro importante votando de manhã e parecia que todos os vovôzinhos do bairro estavam ali. Ao contrário do Brasil, onde você tem um lugar especial e privado, na Espanha é possível votar de duas maneiras; pegando um envelope e a lista de candidatos na frente de todo mundo ou vai para cabine e faz o mesmo.

Hein ? Pois é. Como já tinha explicado, o voto é por lista fechada: o eleitor é obrigado a votar no prefeito/governador e no vereador/deputado do mesmo partido. Não tem essa de escolher o prefeito da direita e o vereador da esquerda. Ao menos é coerente. Afinal, o parlamento é mais forte que no Brasil e é lógico que o representante do Executivo tenha que contar com a maioria no parlamento para exercer seu mandato com tranquilidade.

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Propaganda da candidata derrotada Esperanza Aguirre.

 

Como falei, a seção eleitoral que tinha mais fila era a minha! Pela conversa de dois senhores fiquei sabendo que um estrangeiro tinha exigido votar para governador e os mesários levaram um tempão para convencê-lo que ele não podia fazê-lo. Assim, quando chegou a minha vez e a presidente viu minha carteira de identidade portuguesa já foi logo dizendo:

– A senhora só pode votar para prefeito, ok?

Deu vontada de responder: que alívio, minha senhora! Esse peso não precisarei carregar nas minhas costas. Mas me limitei a respoder: Ah! Eu sei. É que os estrangeiros também recebem em casa os dois envelopes e o moço deve ter se confundido.

Enfim. A partir das 18 horas comecei a acompanhar os resultados. O cenário pré-eleitoral se confirmou: o Partido Popular foi mais votado e levou 119 prefeituras de Madri, mas não emplacou sua candidata, na capital espanhola. Ela foi mais votada, mas não tem condição de formar a maioria na Câmera de Vereadores e, por isso, não será a prefeita da cidade.

Hein ?? Ela foi a mais votada, mas não será a prefeita ??

Calma que a tia aqui foi professora de História e adora explicar como funciona o sistema político espanhol para vocês.

Na Espanha, o candidato mais votado a qualquer cargo no Executivo precisa ser aprovado pelo Legislativo. Por isso, dona Esperanza Aguirre, PP, não teria condições de formar a maioria, mesmo que se alie com os Ciudadanos, a outra força de centro-direita. A segunda colocada, a dona Manuela Carmona, da coalição Podemos-Ganemos que concorreu sob o nome “Ahora Madrid”, tem condições de formar a maioria, mas vai ter que negociar com o PSOE.

E se ela não conseguir o apoio dos socialistas? Ahá!

Dona Manuela tem três tentativas para ser confirmada no cargo. Caso contrário terá que convocar outras eleições !! Sempre pensei que fosse uma formalidade esta confirmação, mas não. Neste exato momento está passando algo parecido com a governadora da Andaluzia, Susana Díaz, que não consegue alcançar a maioria na Câmera e já teve sua investidura rejeitada duas vezes. Como vocês podem ver, a política espanhola também é emocionante.

 

 


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