Zamora

(post em 20/01/2016)


Depois de um Natal tristinho e de passar o Reveillón trabalhando, finalmente chegou a hora de viajar! Por isso, muito debate, consultas no mapa e decidimos ir a Zamora. Queríamos aproveitar a oferta da Renfe que fazia preços promocionais do AVE (trem de alta velocidade) a 20 euros, mas ao consultar as opções, decobrimos que o trem saía em horários incompatíveis para quem tem filho pequeno. Descartado o AVE, o jeito foi alugar um carro. Tudo bem que seriam 3 horas de viagem, ao invés de 1 hora e 30, mas quando se tem filho, a mudança de planos é constante.

Se não tivemos sorte com o trem, ao menos a hospedagem nos sorriu e consegui um precinho camarada no Parador da cidade por 100 euros. Negócio fechado! Em seguida comecei a planejar a viagem, pensando que Zamora fosse uma cidade tranquila, em uma tarde a conheceríamos e depois nos daria tempo para ir a Tordesilhas (essa mesmo!). Ledo engano. Zamora tem uma grande concentração de igrejas românicas, catedral belíssima, ruínas de um castelo, Museu da Semana Santa (e outros mais), estátuas urbanas e ainda guarda alguns edifícios do modernismo…Ai! Meu coração de historiadora apertou e resolvi deixar Tordesilhas para outra ocasião.

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Merlú, personagem típico da Semana Santa.

A viagem foi tranquila e quando chegamos ao Parador de Zamora, imediatamente descobrimos que nós não tínhamos sido os únicos a ter essa ideia: estava lá o presidente de governo, Mariano Rajoy, para divulgar o novo trem de velocidade e aproveitar para se reunir com seus correligionários. Se fossem os reis ficaria lá esperando feliz, mas o Rajoy não merecia esta deferência.

Política à parte fomos ao quarto deixar as malas e saímos para bater perna. Almoçamos num restaurante simples e em menos de cinco minutos vimos aquela multidão de simpatizantes, seguranças à paisana e a polícia nacional rodeando Rajoy. Bem…oportunidade igual eu não teria novamente e lá fui fazer umas fotinhos para ter uma história para contar para os meus netos.

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Rajoy e uma eleitora.

O Parador fica extamente no meio do centro histórico e da janela tínhamos a vista para o rio e a ponte romana e qualquer monumento que fôssemos estaria perto. Como sempre faço visitamos primeiro a catedral, mas já no caminho há pinturas urbanas, poesia pelas paredes, duas igrejas românicas, um convento e uma estátua urbana de um cronista da cidade. Isso tudo em 500 metros!

Abaixo listo algumas atrações que visitamos e gostamos em Zamora:

Castelo de Zamora – Como quase todas as cidades espanholas, Zamora foi sitiada e saqueada por romanos, visigos, muçulmanos e cristãos. O castelo serviu com fortaleza e também moradia dos reis locais. Atualmente, restam as ruínas, torres e as sucessivas ampliações, onde é possível distinguir arquitetura de várias épocas. O castelo também serve de centro cultural e há esculturas modernas ao longo do recinto. Entrada gratuita. Horário: De terça a domingo, 10:00h às 14:00h e 17:00h a 20:00h. Segunda fechado.

Catedral do Salvador – a catedral é pequena, mas linda! A arquitetura é românica, mas os altares laterais foram construídos e reformados segundo o gosto da época. O altar-mor, por exemplo, é um belo exemplo do classicismo espanhol. É possível visitar o museu que guarda uma coleção de tapeçarias e onde é possível contemplar o belo ostensório que sai em procissão no Corpus Christi. Um detalhe importante: a catedral cobra 1 euro para fotografá-la. Entrada: 4 euros. Entrada gratuita. Horário: 1º abril a 30 setembro, de segunda a domingo: 10h às 14h; de 17h às 20h. 1º de outubro a 31 de março, de segunda a domingo: 10h às 14h; de 16:30 às 19:00.

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Sim, esta parede é fabulosa.

Igrejas Românicas – as igrejas românicas são simples, desprovidas de ornamentação e acho que aí está sua beleza. Não é como a arte gótica que você fica boaquiaberto contemplando vitrais e a altura imensurável daquelas catedrais, mas conserva sua beleza secreta. É preciso olhar atentamente os detalhes, descobrir os restos de pintura pelas paredes e fazer um exercício de imaginação para imaginar como deveriam ser aquelas igrejas com todo seu esplendor. A entrada para todas é gratuita, mas não é permitido tirar fotos. Nem tudo é perfeito nessa vida.

Museu Etnográfico de Castilla y León – a grande surpresa! Não íamos entrar, mas como estava frio e o ingresso só custava 3 euros resolvemos fazer o “sacrifício”. O museu reúne objetos recolhidos da região como vasilhas de barro, ferramentas agrícolas, tecidos bordados, vestidos típicos e móveis para contar o folclore e os costumes da região de Zamora e adjacências.

Museu da Semana Santa – Se você nunca viveu a experiência da Semana Santa espanhola esta aí uma boa oportunidade de ver as fabulosas imagens usadas para contar a Via-Sacra. A exposição recria o clima pesado da famosa Sema Santa zamorana, com direito aos penitentes vestidos a caráter. Não é recomendável para quem se impressiona facilmente Um detalhe importante: assim como a catedral, o Museu cobra 1 euro para fotografá-lo. Entrada: 4 euros.

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Dá um medinho tirar foto com esse boneco!

As ruas, a ponte – andar sem destino pelas cidades da Espanha é o melhor que o visitante pode fazer. Em Zamora, há belos edifícios do modernismo, esculturas que homenageiam a maternidade, os personagens da Semana Santa como os “Merlús” e os professores. Não deixe de descer até a ponte construída pelos romanos e que foi cenário de uma sangrenta batalha durante a ocupação francesa. E claro: tire lindas fotos deste ângulo privilegiado.


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